sexta-feira, 15 de outubro de 2010

MORFOLOGIA




ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS

A língua portuguesa apresenta dois processos básicos para a formação das palavras: a derivação e a composição.



CONCEITOS BÁSICOS

Sabemos que a Morfologia estuda a estrutura, a formação, a classificação e as flexões das palavras. Neste módulo, iniciamos nossos estudos de Morfologia: vamos investigar a estrutura e os processos de formação das palavras de nossa língua.

Se pensarmos em palavras que mantêm alguma semelhança com o substantivo governo, poderemos encontrar o seguinte grupo:

governo
governa
desgoverno
desgovernado
governadores
ingovernável
ingovernabilidade

Todas essas palavras têm pelo menos um elemento comum: a forma goven-. Além  disso, em todas elas há elementos destacáveis, responsáveis pelo acréscimo de  algum detalhe de significação. Compare, por exemplo, governo e desgoverno: o  elemento inicial des- foi acrescentado à forma governo, trazendo o significado de  "falta, ausência, carência".

Continuando esse trabalho de comparação entre as diversas palavras que selecionamos, podemos depreender a existência de diversos elementos formadores:

govern-o
goven-a
des-govern-o
des-govern-a-do
govern-a-dor-es
in-govern-á-vel
in-govern-a-bil-i-dade

Cada um desses elementos formadores é capaz de fornecer alguma noção significativa à palavra que integra. Além disso, nenhum deles pode sofrer nova  divisão. Estamos diante de unidades de significação mínimas, ou seja, elementos significativos indecomponíveis, a que damos o nome de morfemas.


Comparando as palavras a seguir, faça a depreensão dos morfemas que as constituem:

a) desatualização                  b) atualizar
c) atual                       d) atualizado
e) atualizada               f) atualizados
g) atualmente              h) reatualizar
i) atualizador
           

CLASSIFICAÇÃO DOS MORFEMAS
É o morfema govern-, comum a todas as palavras observadas na seção anterior, que faz com que as consideremos palavras de uma mesma família de significação. Ao morfema comum de uma família de palavras chamamos radical; às palavras que pertencem a uma mesma família, chamamos cognatos. O radical é a parte da palavra responsável pela sua significação principal.
Já sabemos que o morfema des-, que surge em desgoverno, é capaz de acrescentar ao significado da palavra governo a idéia de "negação, falta,  carência". Dessa forma, o acréscimo do morfema des- cria uma nova palavra a partir de governo. A nova palavra formada tem o sentido de "falta, ausência de governo". De maneira semelhante, o acréscimo do morfema -dor à forma governa-  criou a palavra governador, que significa "aquele que governa". Observe que des-  e -dor são morfemas capazes de mudar o sentido do radical a que são anexados.

Esses morfemas recebem o nome de afixos.

Quando são colocados antes do radical, como acontece com des-, os afixos recebem o nome de prefixos.

Quando, como -dor, surgem depois do radical, os afixos são chamados de sufixos. Prefixos e sufixos são capazes de introduzir modificações de significado no radical a que são acrescentados. São também, em  muitos casos, capazes de operar mudança de classe
                                                                                                         
Nas palavras que estamos analisando, merecem destaque alguns afixos:

prefixos:           des-, em desgoverno, desgovernado
in-, em ingovernável, ingovernabilidade

sufixos:
-vel,  em ingovernável
-dor, em governadores
-dade, em ingovernabilidade

Se você agora pluralizar a palavra governo, encontrará a forma governos. Isso nos mostra que o morfema -s, acrescentado ao final da forma governo, é capaz de indicar a flexão de número desse substantivo. Tomando o verbo governar e conjugando algumas de suas formas, você irá perceber modificações na parte final dessa palavra: governava, governavas, governava, governávamos, governáveis, governavam. Essas modificações ocorrem à medida que o verbo vai sendo flexionado em número (singular/plural) e pessoa (primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem se modificarmos o tempo e o modo do verbo (governava/governara /governasse, por exemplo).

Podemos concluir, assim, que existem morfemas que indicam as flexões das palavras. Esses morfemas sempre surgem na parte final das palavras variáveis e recebem o nome de desinências. Há desinências nominais (indicam flexões nominais, ou seja, o gênero e o número) e desinências verbais (indicam flexões do verbo, como número, pessoa, tempo e modo).

Observe que entre o radical govern- e as desinências verbais surge sempre o morfema -a-. Esse morfema que liga o radical às desinências é chamado vogal temática. Sua função é justamente a de ligar-se ao radical, constituindo o chamado tema. E ao tema (radical + vogal temática) que se acrescentam as desinências. Tanto os verbos como os nomes apresentam vogais temáticas. Há ainda um último tipo de morfema que podemos encontrar: as vogais ou consoantes de ligação. São morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. Temos um exemplo de vogal de ligação na palavra ingovernabilidade: o -i- entre os sufixos -bil- e -dade facilita a emissão vocal da palavra. Outros exemplos de vogais e consoantes de ligação podem ser vistos em palavras como gasômetro, alvinegro, tecnocracia; paulada, cafeteira, chaleira, tricotar.

Faça a depreensão e a classificação dos morfemas formadores das seguintes  palavras e flexões:
a)         realizar
b)         irreal
c)         real
d)         realmente
e)         realizável
f)          realizava
g)         realizáramos
h)         realismo
i)          realista




Classificação dos morfemas

a) radical -  morfema comum às palavras que pertencem a uma mesma família de significado. Nele se concentra a significação básica dessas palavras;

b) afixos - morfemas capazes de alterar a significação básica de um radical. Podem também operar mudanças de classe gramatical. Subdividem-se em prefixos e sufixos;

c) desinências - morfemas que indicam as flexões das palavras variáveis. Subdividem-se em desinências nominais (indicam as flexões de gênero e número dos nomes) e desinências verbais (indicam as flexões de tempo/modo e número/pessoa dos verbos);

d) vogal temática - morfema que serve de elemento de ligação entre o radical e as desinências. O conjunto radical + vogal temática recebe o nome de tema;

e) vogal ou consoante de ligação - morfema de origem geralmente eufônica, capaz de facilitar a emissão vocal de determinadas palavras.



ESTUDOS DOS MORFEMAS LIGADOS ÀS FLEXÕES DAS PALAVRAS

Vogais temáticas

A vogal temática é um morfema que se junta ao radical a fim de formar uma base à qual se ligam as desinências. Essa base é chamada tema. Além de atuar como elemento de ligação entre o radical e as desinências, a vogal temática também marca grupos de nomes e de verbos. Isso significa que existem vogais temáticas nominais e vogais temáticas verbais.

a) vogais temáticas nominais – são -a, -e e -o, quando átonas finais, como em mesa, artista, busca, perda, escola; triste, base, combate, destaque, sorte; livro, tribo,  amparo, auxílio, resumo. Nesses casos, não poderíamos pensar que essas terminações são desinências indicadoras de gênero, pois livro, escola e sorte, por exemplo, não sofrem flexão de gênero. É a essas vogais temáticas que se liga a desinência indicadora de plural: carro-s, mesa-s, dente-s.


Os nomes terminados em vogais tônicas (sofá, café, caqui, mandacaru e cipó, por exemplo) não apresentam vogal temática; podemos considerar que os terminados em consoante (feliz, roedor, por exemplo) têm o mesmo comportamento.

b) vogais temáticas verbais - são -a, -e e -i, criando três grupos de verbos a que se dá o nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal temática é -a pertencem à primeira conjugação; aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à segunda conjugação e os que têm vogal temática -i pertencem à terceira conjugação.

Podemos perceber claramente a vogal temática atuando entre o radical e as desinências nos seguintes exemplos:

primeira conjugação: govem-a-va, atac-a-va, realiz-a-sse;
segunda conjugação: estabelec-e-sse, cr-e-ra, mex-e-rá;
terceira conjugação: defin-i-ra, imped-i-sse, ag-i-mos.

DESINÊNCIA:
As desinências são morfemas que indicam as flexões de nomes e verbos, dividindo-se, por isso, em desinências nominais e verbais Note que as desinências indicam flexões de uma mesma palavra, enquanto os afixos são usados para formar novas palavras. As flexões ocorrem obrigatoriamente quando precisamos inserir uma palavra numa seqüência ou frase:

O ministro não foi convidado para a reunião.

Os ministros não foram convidados para a reunião.

A ministra não foi convidada para a reunião.

As ministras não foram convidadas para a reunião.


As flexões sofridas pelas palavras nas frases acima são obrigatórias para o estabelecimento da concordância. Já o uso de afixos não se deve a uma obrigatoriedade, mas sim a uma opção:

O ex-ministro não foi convidado para a reunião.

A ministra não foi convidada para as reuniõezinhas.


Não há nenhum mecanismo lingüístico que torne obrigatório o uso do sufixo -(z)inhou do prefixo ex- nessas duas frases. Além disso, reuniãozinhas (plural "reuniõezinhas") e ex-ministro são duas palavras novas formadas a partir de ministro e reunião, respectivamente; já ministros, ministra e ministras são consideradas formas de uma mesma palavra, ministro.

a) desinências nominais - indicam o gênero e o número dos nomes. Para a indicação de gênero, o português costuma opor as desinências -o / -a: garoto/garota; menino/menina. Você já sabe como distinguir essas desinências das vogais temáticas nominais: lembre-se de que, enquanto as desinências são  comutáveis (podem ser trocadas uma pela outra), as vogais temáticas não são (quem pensaria seriamente em formar "livra" ou "carra" para indicar formas "femininas"?).


Para a indicação de número, costuma-se utilizar o morfema -s, que indica o plural em oposição à ausência de morfema que indica o singular: garoto/garotos; garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas. No caso dos nomes terminados em -r e -z, a desinência de plural assume a forma -es: mar/mares; revólver/revólveres; cruz/cruzes; juiz/juízes.

b) desinências verbais - em nossa língua, as desinências verbais pertencem a dois tipos distintos. Há aquelas que indicam o modo e o tempo verbais (desinências modo-temporais) e aquelas que indicam o número e a pessoa verbais (desinências número-pessoais). Observe, nas formas verbais abaixo, algumas dessas desinências:

estud-á-va-mos
estud-: radical
-á-: vogal temática
-va-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do indicativo)
-mos: desinência número-pessoal (caracteriza a primeira pessoa do plural)

estud-á-sse-is
-sse-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do subjuntivo)
-is: desinência número-pessoal (caracteriza a segunda pessoa do plural)

estud-a-ria-m
-ria-: desinência modo-temporal (caracteriza o futuro do pretérito do indicativo)
-m: desinência número-pessoal (caracteriza a terceira pessoa do plural)

Aponte as desinências e as vogais temáticas das seguintes palavras e flexões:

a)         amor, amores
b)         deputado, deputada
c)         comemorava, comemorávamos, comemorássemos
d)         pusesse, puséramos, pusésseis
e)         pente, pentes
f)          garrafa, garrafas
g)         boné, bonés
h)         caso, casos
i)          moço, moços


Morfemas ligados aos mecanismos de flexão

Vogais temáticas - atuam como elemento de ligação entre o radical e as desinências.

a)         nominais - dividem os nomes em três classes;

b)         verbais - dividem os verbos em três conjugações.

Desinências - indicam as flexões das palavras variáveis da língua.

a)         nominais - indicam o gênero (masculino / feminino) e o número (singular / plural) dos nomes, pronomes e numerais variáveis;

b)         verbais - indicam as flexões verbais, podendo ser modo-temporais ou número-pessoais.



PROCESSO DE FORMAÇÃO DAS PALAVRAS

A língua portuguesa apresenta dois processos básicos para formação de palavras: a derivação e a composição.

Há derivação quando, a partir de uma palavra primitiva, obtemos novas palavras (chamadas derivadas) por meio do acréscimo de afixos. Isso ocorre, por exemplo, quando, a partir da palavra primitiva piche, formamos pichar, da qual por sua vez se forma pichação, pichador; também ocorre quando obtemos impessoal a partir de pessoal ou ineficiente a partir de eficiente. Como veremos mais adiante, a derivação também pode ser feita pela supressão de morfemas ou pela troca de classe gramatical, mas nunca pelo acréscimo de radicais.

A composição ocorre quando formamos palavras pela junção de pelo menos dois radicais. Nesse sentido, diferencia-se da derivação, que não lida com radicais. As palavras resultantes do processo de composição são chamadas palavras compostas, em oposição àquelas em que há um único radical, chamadas simples.

Eis alguns exemplos de palavras compostas:

lobisomem (em que se notam os radicais das palavras lobo e homem), girassol (gira
+ sol), beiJa-flor (beija + flor), otorrinolaringologia (formada por radicais eruditos,
trazidos diretamente do grego: oto + rino + laringo + logia).


DERIVAÇÃO

A derivação consiste basicamente na modificação de determinada palavra primitiva por meio do acréscimo de afixos. Dessa forma, temos a possibilidade de fazer sucessivos acréscimos, criando, a partir de uma base inicialmente simples, palavras de estrutura cada vez mais complexa:

escola

escolar

escolarizar

escolarização

subescolarização

Observe, assim, que a derivação deve ser vista como um processo extremamente produtivo da língua portuguesa, pois podemos incorporar os mesmos afixos a um número muito grande de palavras primitivas. Esses acréscimos podem alterar o significado da palavra (como em escolarização/subescolarização) e também mudar a classe gramatical da palavra (como em escolarizar/escolarização, que são, respectivamente, verbo e substantivo).

A derivação, quando decorre do acréscimo de afixos, pode ser classificada em três tipos: derivação prefixal, derivação sufixal e derivação parassintética.


Derivação prefixal ou prefixação

Resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o seu significado alterado; veja, por exemplo, alguns verbos derivados de pôr: repor, dispor, compor, contrapor, indispor, recompor, decompor. Tradicionalmente, os estudiosos da língua portuguesa afirmam que a prefixação não produz mudanças de classe gramatical; na língua atual, entretanto, essas modificações têm ocorrido. Veja, por exemplo, as palavras antiinflaçao e interbairros, que, em expressões como pacto antinflação e transporte interbairros atuam como adjetivos, apesar de terem sido formadas de substantivos.

Derivação sufixal ou sufixação

Resulta do acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical. Em unhada, por exemplo, houve modificação de significado: o acréscimo do sufixo trouxe a noção de "golpe", "ataque feito com a unha", ou mesmo a idéia de "ferimento provocado pela unha".

Já em alfabetização, o sufixo -ção transforma em substantivo o verbo alfabetizar. Esse verbo, por sua vez, já resulta do substantivo alfabeto pelo acréscimo do sufixo -izar. Como já vimos, o acréscimo de afixos pode ser gradativo. Nada impede que, depois de obter uma palavra por prefixação, se forme outra por sufixação, ou vice-versa. Veja, por exempIo, desvalorização (valor  valorizar  desvalorizar  desvalorização); indesatável (desatar desatável   indesatável); desigualdade (igual igualdade   desigualdade). São palavras formadas por prefixação e sufixação ou por sufixação e prefixação.



Derivação parassintética ou parassíntese

Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. É um processo que dá origem principalmente a verbos, obtidos a partir de substantivos e adjetivos. Veja alguns exemplos de verbos obtidos de substantivos: abençoar, amaldiçoar, ajoelhar, apoderar, avistar, apregoar, enfileirar, esfarelar, abotoar, esburacar, espreguiçar, amanhecer, anoitecer, acariciar, engatilhar, ensaboar, enraizar, afunilar, apavorar, empastelar, expatriar.

Agora, alguns formados de adjetivos: enrijecer, engordar, entortar, endireitar, esfriar, avermelhar, empobrecer, esclarecer, apodrecer, amadurecer, aportuguesar, enlouquecer, endurecer, amolecer, entristecer, empalidecer, envelhecer, expropriar.

OBSERVAÇÃO: Não se deve confundir a derivação parassintética, em que o acréscimo de sufixo e prefixo é obrigatoriamente simultâneo, com casos como os das palavras desvalonzação e desigualdade, que vimos há pouco. Nessas palavras, os afixos são acoplados em sequência; assim, como vimos, desvalorização provém de desvalorizar, que provém de valorizar, que por sua vez provém de valor.

É impossível fazer o mesmo com palavras formadas por parassíntese: não se pode, por exemplo, dizer que expropriar provém de "propriar" ou de "expróprio", pois tais palavras não existem; logo, expropriar provém diretamente de próprio, pelo acréscimo concomitante de prefixo e sufixo. - fim do quadro de destaque.




DERIVAÇÃO REGRESSIVA

Ocorre quando se retira a parte final de uma palavra primitiva, obtendo por essa redução uma palavra derivada. E um processo particularmente produtivo para a formação de substantivos a partir de verbos principalmente da primeira e da segunda conjugações. Esses substantivos, chamados por isso de verbais, indicam sempre o nome de uma ação. O mecanismo para sua obtenção é simples: substitui-se a terminação verbal formada pela vogal temática + desinência de infinitivo (-ar ou -er) por uma das vogais temáticas nominais (-a, -e ou -o):

            buscar -  busca             alcançar - alcance         tocar -  toque               apelar - apelo
            censurar - censura        atacar-  ataque              sacar -  saque   chorar -  choro
            ajudar -  ajuda               cortar -  corte                abalar- abalo    recuar - recuo
            perder -  perda             debater -  debate          afagar - afago   sustentar - sustento
            vender - venda              resgatar - resgate


É interessante perceber que a derivação regressiva é um processo produtivo na língua coloquial: surgiram recentemente na língua popular palavras como agito (de agitar), amasso (de amassar) e chego (de chegar).


Os substantivos deverbais são sempre nomes de ação: isso é importante porque há casos em que é o verbo que se forma a partir do substantivo, como planta  plantar, perfume  perfumar, escudo  escudar. Planta, perfume e escudo não são nomes de ação; por isso não são substantivos deverbais . Na verdade, eles é que são palavras primitivas, enquanto os verbos são derivados.

Derivação imprópria

Ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical. Isso acontece, por exemplo, nas frases:

Não aceitarei um não como resposta.

É um absurdo o que você está propondo.

Na primeira frase, não, um advérbio, converteu-se em substantivo. Na segunda, o adjetivo absurdo também se converteu em substantivo. Já em:

Você está falando bonito: o amar é indispensável.

O adjetivo bonito surge na função típica de um advérbio de modo, enquanto o verbo amar se converteu em substantivo.

Tipos de derivação

a)         derivação prefixal ou prefixacão - resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o seu significado alterado;

b)         derivação sufixal ou sufixação - resulta do acréscimo de sufixo à palavra primitiva,
que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical;

c)         derivação parassintética ou parassíntese -ocorre quando a palavra derivada
resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. É um processo
que dá origem principalmente a verbos, obtidos a partir de substantivos e
adjetivos;

d)         derivação regressiva - ocorre quando se retira a parte final de uma palavra,
obtendo por essa redução uma palavra derivada. É um processo particularmente
produtivo para a formação de substantivos a partir de verbos principalmente da
primeira e da segunda conjugações;

e)         derivação imprópria - ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical.



Prefixos

Os prefixos são morfemas que se colocam antes dos radicais basicamente a fim de modificar-lhes o sentido; raramente esses morfemas produzem mudanças de classe gramatical.

Os principais prefixos da língua portuguesa são de origem latina. Na relação que se segue, colocamos as diversas formas que esses prefixos costumam assumir, o tipo de modificação de significado que introduzem no radical e vários exemplos.

Muitos desses prefixos originaram-se de preposições e advérbios, e não será difícil para você relacioná-los com preposições e advérbios da língua portuguesa.

Prefixo e significado

Prefixo
a-, ab-, abs- (separação, afastamento, privação)
Exemplos
abdicar, abjurar, abster, abstrair, abuso, abusar, amovível, abster


a-, ad- (aproximação, direção, aumento, transformação)
Exemplos
achegar, abraçar, aproveitar, amadurecer, adiantar, avivar, adjunto, administrar, admirar, adventício, assimilar

além- (para o lado de lá, do lado de lá)
Exemplos
além-túmulo, além-mar, além-mundo


ante- (anterioridade no espaço ou no tempo)
Exemplos
antebraço, antepasto, ante-sala, antevéspera, antepor, anteontem

aquém- (para o lado de cá, do lado de cá)
Exemplos
aquém-mar, aquém-fronteiras

Prefixo
bem-, ben- (de forma agradável, positiva ou intensa)
Exemplos
bem-aventurado, bem-vindo, benfeitor, benquisto, bem-apanhado, bem-
apessoado, bem-nascido, bem-querer, bem-visto

Prefixo
circum-, circun- (ao redor de, em torno de)
Exemplos
circuncentro, circunscrever, circunvizinhança, circunvagar
Prefixo
cis- (posição aquém, do lado de cá)
Exemplos
cisandino, cisplatino, cisalpino
Prefixo
co-, com- (contigüidade, companhia, agrupamento)
Exemplos
coabitar, coadjuvante, coadquirir, condiscípulo, combater, correligionário,
conjurar, consoante, confluência, compor, cooperar, corroborar, conviver, co-
irmão, co-herdeiro

Prefixo
contra- (oposição, ação coniunta, proximidade)
Exemplos
contra-atacar, contra-argumento, contradizer, contrapor, contraprova,
contrabalançar, contracheque, contracultura, contra-exemplo, contracapa,
contracanto, contramestre

Prefixo
de- (movimento de cima para baixo)
Exemplos
decrescer, decompor, depor, depender, decapitar, deliberar, decair
Prefixo
des- (separação, ação contraria, negação, privação)
Exemplos
despedaçar, desfazer, desumano, desintegrar, desigual, desconforme,
desobedecer, desmatar, desenganar, desunião, desfolhar;  (as vezes serve
apenas para reforço) desafastar, desinfeliz, desinquieto

Prefixo
dis-, di- (separação, movimento para diversos lados, negação)

Exemplo
difícil, dissidente, dilacerar, disseminar, distender, disforme, dissabor, divagar,
difundir


Prefixo e significado

e-, es-, ex- (movimento para fora, separação, transformação)
emigrar, evadir, expor, exportar, exprimir, expatriar, extrair, esquentar, esfriar,
esburacar, ex-presidente, ex-ministro, ex-namorada

en-, em-, i-, in-, im- (posição interior, movimento para dentro)
enraizar, enterrar, embarcar, embeber, imigrar, irromper, importar, importação,
ingerir, inocular

entre-, inter- (posição intermediária, reciprocidade)
entreabrir, entrechoque, entrelaçar, entrevista, entretela, entrever, interação,
intercâmbio, intervir, interromper, intercalar
extra- (posição exterior, fora de)
extraconfugal, extrajudicial, extra-oficial, extraordinário, extranumerário,
extraterrestre, extravasar, extraviar
E-, Ifl-, Em- (negação, privação)
imoderado, inalterado, ilegal, ilegítimo, irrestrito, incômodo, inútil, incapaz, impuro,
impróprio
intra- (posição interior) intro- (movimento para dentro)
intrapulmonar, intravenoso, intra-ocular
intro- (movimento para dentro) introduzir, intrometer, intrometido, introverter,
introjeção, introspecção


justa- (posição ao lado)
justapor, justaposição, justalinear

mal- (de forma irregular, desagradável ou escassa)
mal-humorado, mal-educado, mal-arrumado, mal-assombrado, malfeito, mal-
assado, mal-aventurança, malcriado

ob-, o- (posição em frente, diante, oposição)
objeto, obstar, obstáculo, obstruir, obstrução, opor, oposição
per- (movimento através) pos-, pós- (posterioridade, posição posterior)
perpassar, percorrer, percurso, perfurar, perseguir, perdurar posfácio, pospor,
pós-escrito, pós-graduação, pós-eleitoral
pre-, pré- (anterioridade, antecedência)
premeditar, preestabelecer, predizer, predispor, pré-história, pré-adolescente, pré-
amplificador

pro-, pró- (movimento para a frente, a favor de)
promover, propelir, progredir, progresso, proeminente, proclamar, prosseguir,
pró-socialista, pró-britânico, pró-anistia
re- (movimento para trás, repetição)
refluir, reagir, reaver, reeditar, recomeçar, reviver, renascer, reanimar



retro- (movimento para trás)
retroação, retrocesso, retroceder, retroativo, retrógrado, retrospectivo, retrovisor
semi- (metade de, quase, que faz o papel de)
semicírculo, semibreve, semicondutor, semiconsciente, semi-escravidão, semi-
analfabeto, semivogal, semimorto

sobre-, super-, supra- (posição acima ou em cima, excesso, superioridade)
sobrepor, superpor, sobrescrito, sobrescrever, sobrevir, supersensível, super-
homem, supermercado, superdotado, supercivilização

soto-, sota- (debaixo, posição inferior)
sotopor, sotavento, sota-proa, sota-voga, sota-soberania
sub-, su-, sob-, 50- (movimento de baixo para cima, inferioridade, quase)
sobraçar, soerguer, soterrar, sujeitar, subjugar, submeter, subalimentado
subdesenvolvimento, sub)iteratura, subumano, submarino, subverter
tras-, tres-, trans- (movimento ou posição para além de, através)
traspassar ou transpassar, trasbordar ou transbordar, tresandar, tresvariar,
transatlântico, transalpino, transandino, transplantar
ultra- (posição além de, em excesso)
ultrapassar, ultramar, ultravioleta, ultramicroscópico, ultraconservador, ultra-
romântico, ultra-som, ultra-sofisticado
vice- (em lugar de, em posição imediatamente inferior)
vice-presidente, vice-diretor, vice-cônsul, vice-almirante, vice-rei, vice-campeão,
vice-artilheiro


Prefixo e significado

an-, a- (privação, negação)
anarquia, anônimo, ateu, acéfalo, amora, anestesia, afônico, anemia

arcanjo, arquiduque, arquétipo, arcebispo, arquimilionário

an(a) - (movimento de baixo para cima, movimento inverso, repetição,
afastamento, intensidade)

anacronismo, anagrama, análise, anabatista, anáfora, analogia, anatomia,
anafilaxia

anf(i)- Ide Um e de outro lado, ao redor
anfiteatro, anfíbio, anfipode

ant(i)- (ação contrária, oposição)
antagonista, antítese, antiaéreo, antípoda, antídoto, antipatia, anticonstitucional,
anticorpo, antifebril, antimonárquico, anti-social


ap(o)- (afastamento, separação)
apóstata, apogeu, apóstolo
arc(a)-, arce-, arque-, arqui-(superioridade, primazia )
arcanjo, arquiduque, arquétipo, arcebispo, arquimilionário
cata- (movimento de cima para baixo, oposição, em regressão)
cataclismo, catacumba, catarro, catástrofe, catadupa, catacrese, catálise, catarata

 di(a)- (através, por meio de, separação)
diagnóstico, diálogo, dialeto, diâmetro, diáfano
dis- (mau estado, dificuldade)
dispnéia, disenteria, dislalia, dispepsia
ec-, ex- (movimento para fora)
eclipse, exantema, êxodo
en-, e-, em-  ( posição interior, dentro)

encéfalo, emplastro, elipce, embrião
end(o)- (movimento para dentro, posição interior)
endocarpo, endotérmico, endoscópio
ep(i)- (posição superior, sobre, movimento para, posterioridade)
epiderme, epígrafe, epílogo, epícarpo, epidemia
eu-, ev- (bem, bom)
eufonía, eugenia, eufemismo, euforia, eutanásia, evangelho
hiper- posição superior, excesso, além)
hipérbole, hipertensão, hipercrítíco, hiperdesenvolvimento, hiperestesia,
hipermercado, hipermetropia, hipertrofia, hipersônico

hipo- (posição inferior, escassez)
hipodérmico, hipótese, hipocalórico, hipogeu, hípoglicemia, hipotensão, hipoteca

met(a)- (mudança, sucessão, posterioridade, além)
metáfora, metamorfose, metafísica, metonímia, metacarpo, metátese,
metempsicose

par(a)- (perto, ao lado de, elemento acessório)
paradoxo, paralelo, parágrafo, paramilitar, parábola, parâmetro
peri- (movimento ou posição em torno)
perifrase, periferia, período, periarto, pericarpo
pro- (movimento para diante, posição em frente ou anterior)
programa, prólogo, prognóstico, pródromo, próclise
sin-, sim- (ação conjunta, companhia, reunião, simultaneidade)
sinestesia, sincronia, síntese, sinônimo, sinfonia, simpatia, sílaba, sintaxe, sistema


PREPOSIÇÕES E ADVÉRBIOS QUE TEM SIDO USADOS COMO PREFIXOS

Preposição/advérbio : significado e exemplos;

sem- (falta, privação, ausência) sem-amor, sem-terra, sem-teto, sem-fim, sem-
vergonha, sem-família
quase- (perto, aproximadamente, por pouco, pouco menos) quase-delito, quase-
equilíbrio, quase-posse, quase-suicida
não- (negação por exclusão) não-alinhado, não-euclidiano, não-violência, não-
engajamento, não-essencial, não-ficção, não-metal, não-participante


Substitua cada conjunto destacado por uma única palavra, formada por prefixação.

a)         O juiz (lerá novamente) os documentos do processo.
b)         É necessário (fazer outra vez) todos os cálculos.
c)         Depois de vários anos, vou (tornar a ver) meus pais.
d)         Não havia motivo para pôr os interesses individuais (antes dos) interesses
coletivos.
e)         Não há como (dizer o contrário do) que eu afirmei.
f)          Deixou a todos (sem proteção).
g)         Seu comportamento (despido de honestidade) foi punido.
h)         Queria uma liberdade (sem restrições).
i)          Os documentos foram (datados com antecedência).
j)          Depois de (passar além) destes limites, descansaremos.

            Este exercício é igual ao anterior.
a)         Nem todos os países conseguem competir no mercado (de todas as nações.)
b)         Foi construída uma passagem (debaixo da terra) para evitar atropelamentos.
c)         (Passe uma linha por baixo) das palavras cujo significado você desconhece.
d)         Descobriram restos de homens (que viveram antes do período histórico) no
Piauí.
           
e)         Há rastros de animais (que viveram antes do Dilúvio) naquela região.
f)          As civilizações (que existiam antes da chegada de Cristóvão Colombo)
deixaram marcas na vida da América do Sul.
g)         Precisava tomar injeções (dentro do músculo).

3. Baseando-se em seu conhecimento do valor dos prefixos, procure explicar o significado das seguintes palavras:

a) reencontro, desencontro
b) premeditar, pressentir
c) importar, exportar
d) imigrante, emigrante
e) imergir, emergir, submergir
f) intersecção
g) imoral, amoral
h) circunlóquio, colóquio
i) cisandino, cisalpino, transandino, transalpino
j) co-gestão
l) digressão, regressão, progressão
m) expatriar, repatriar
n) introvertido, extrovertido
o) prefácio, posfácio
p) refluxo, defluxo
q) introspecção, retrospecção
r) subestimar, sobreestimar
s) ultraleve


Sufixos

Os sufixos são capazes de modificar o significado do radical a que são acrescentados. Sua principal característica, no entanto, é a mudança de classe gramatical que geralmente operam. Dessa forma, podemos utilizar o significado de um verbo, por exemplo, num contexto em que se deve usar um substantivo.

Por isso, vamos observar os principais sufixos da língua portuguesa em relações que colocam em evidência as diversas classes de palavras envolvidas no processo de derivação. Perceba que, como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são incorporadas as desinências que indicam as flexões das palavras variáveis.

1.         Formam substantivos a partir de outros substantivos

-ada

a)         ferimento, golpe ou marca produzida por instrumento: facada, punhalada,
navalhada, martelada, pedrada, bicada, chifrada, dentada, unhada; penada,
pincelada.

b)         medida ou quantidade: garfada, batelada, fornada, tigelada, carrada,
colherada.

c)         multidão: boiada, carneirada, estacada, ramada, papelada, meninada.

d)         alimentos ou bebidas: cajuada, laranjada, limonada, cocada, marmelada,
goiabada, feijoada.
e)         movimentos ou atos rápidos, enérgicos ou de duração prolongada: risada,
gargalhada, cartada; jornada, noitada, temporada.

-ado, -ato

títulos honoríficos, territórios governados, cargos elevados, instituições:

viscondado, arcebispado, principado, pontificado, protetorado, condado,
almirantado, eleitorado, apostolado, noviciado, bacharelado, reitorado,
consulado; clericato, tribunato, sindicato, triunvirato, baronato, cardinalato.

-agem

a)         noção coletiva: folhagem, ferragem, plumagem, ramagem, pastagem.
b)         ação ou resultado da ação; estado: aprendizagem, ladroagem, vadiagem.

-al

a)         sentido coletivo: bananal, cafezal, feijoal, batatal, laranjal, morangal, pinhal,
olival, jabuticabal, areal, lamaçal, lodaçal.

b)         relação, pertinência: dedal, portal, pantanal.

-alha

noção coletiva de valor pejorativo: gentalha, canalha, politicalha, miuçalha.

-ama, -ame

noção coletiva ou de quantidade: dinheirama, mourama, velame, vasilhame, cordoame.

-ana, -eria

a)         ramo de negócio ou estabelecimento:
chapelaria, livraria, alfaiataria, drogaria, tinturaria, confeitaria, leiteria, sorveteria.
b)         noção coletiva: pedraria, sacaria, caixaria, fuzilaria, gritaria, infantaria ou
infanteria.
c)         atos ou resultados dos atos de certos individuos: patifaria, velhacaria,
pirataria, galantaria ou galanteria.

-ário

a)         atividade, ofício, profissão: boticário, operário, secretário, bancário.

b)         lugar onde se coloca algo: campanário, aquário, relicário, vestiário.
c)         noção coletiva: rimário, anedotário, erário.

-edo

a)         sentido coletivo: arvoredo, vinhedo, olivedo, passaredo.
b)         objeto isolado, de grande vulto: penedo, rochedo.

-eiro, -eira

a)         ofícios e ocupações: barbeiro, sapateiro, parteira, peixeiro, carteiro,
bombeiro, sineiro, toureiro, marinheiro, livreiro, copeiro, pedreiro.
b)         nomes de árvores ou arbustos: cajueiro, laranjeira, roseira, amendoeira,
coqueiro, cafeeiro, pessegueiro, mangueira, jaqueira, goiabeira, craveiro, figueira,
castanheiro ou castanheira, espinheiro ou espinheira.
c)         objetos ou lugares que servem para guardar: cigarreira, manteigueira,
paliteiro, cinzeiro, tinteiro, compoteira, açucareiro, agulheiro, saladeira.
d)         objetos de uso pessoal em geral: pulseira, perneira, joelheira, munhequeira,
banheira, chuteira.
e)         noção coletiva, de quantidade ou de intensidade: nevoeiro, poeira, lameira,
chuveiro; pedreira, carvoeira, ostreira; vespeiro, formigueiro; cabeleira.

-ia

a)         profissão, dignidade ou lugar onde se exerce profissão: advocacia,
baronia, chefia, chancelaria, delegacia, reitoria, diretoria.
b)         sentido coletivo: confraria, clerezia, penedia.

-io

noção coletiva: mulherio, rapazio, poderio, gentio.

-ite

inflamação: bronquite, gastrite, rinite, estomatite, esplenite, otite, enterite.

-ugem

semelhança ou idéia de porção: ferrugem, lanugem, penugem, babugem.


-ume

a)         noção coletiva, de quantidade ou intensidade: cardume, negrume,
azedume, chorume.
b)         ação ou resultado da ação: curtume, urdume.


2.         Formam substantivos de adjetivos

Os substantivos derivados de adjetivos indicam qualidades, propriedades ou estados.

-dade

crueldade, maldade, bondade, divindade, sociedade, umidade, liberalidade,
fragilidade, facilidade, legalidade, amabilidade, possibilidade, solubilidade.

-dão

mansidão, podridão, escuridão, gratidão.

-ez, -eza

altivez, mudez, surdez, sordidez, intrepidez, honradez, mesquinhez, pequenez,
pureza, firmeza, nobreza, fraqueza, estranheza, delicadeza, sutileza.

-ia

valentia, ufania, cortesia, alegria, melhoria.

-ice, -ície

velhice, meninice, criancice, beatice, tolice, modernice; calvície, canície, planície;
imundice ou imundície.

-or

alvor; amargor, dulçor; negror.

-tude

amplitude, magnitude, latitude, longitude.

-ura

brancura, amargura, loucura, frescura, verdura, doçura, largura, espessura.


3.         Formam substantivos de verbos

-ança (-ância), -ença (-ência)

nomes de ação ou de resultados dela; nomes de estado: esperança, lembrança,
vingança, constância, importância, relevância; crença, descrença, diferença, detença; regência, conferência, obediência.

-ante, -ente, -inte

agente: ajudante, emigrante, navegante, combatente, pretendente, ouvinte, pedinte.
Em muitos casos, houve especialização de sentido: poente, restaurante, estante,
minguante, vazante, afluente.

-dor, -tor, -sor, -or

nome de agente ou de instrumento: roedor, salvador, pescador, carregador,
tradutor, jogador, poupador, investidor, investigador, inspetor; regador, aquecedor; raspador; interruptor, disjuntor.


-ção, -são, -ão

ação ou resultado dela: coroação, nomeação, posição, traição, adulação, consolação, obrigação, negação, declaração, audição, solução, invocação, extensão, agressão, repercussão, discussão, puxão, arranhão, escorregão.

-douro, -tório

lugar ou instrumento para prática da ação: miradouro, ancoradouro, desaguadouro, logradouro, matadouro, bebedouro, babadouro; purgatório, dormitório, laboratório, vomitório, oratório.


-dura, -tura, -sura, -ura

resultado ou instrumento da ação: atadura, armadura, escritura, fechadura,
clausura, urdidura, benzedura, mordedura, torcedura, pintura, magistratura,
formatura.

-mento

ação, resultado da ação ou instrumento:
acolhimento, apartamento, pensamento, conhecimento, convencimento, esqueci-
mento, fingimento, impedimento, ferimento, ornamento, instrumento, armamento,
fardamento.


4. Formam substantivos e adjetivos de outros substantivos e adjetivos

-ismo

a)         doutrinas ou sistemas religiosos, filosóficos, políticos, artísticos:
calvinismo, bramanismo, budismo, materialismo, espiritismo, socialismo,
capitalismo, federalismo, gongorismo, simbolismo, modernismo, impressionismo.
b)         maneira de proceder ou de pensar: heroismo, pedantismo, patriotismo,
servilismo, ufanismo, nepotismo, filhotismo, arrivismo, oportunismo,
revanchismo.
c)         formas de expressão que apresentam particularidades: vulgarismo,
latinismo, galicismo, arcaísmo, neologismo, solecismo, barbarismo.
d)         terminologia científica: magnetismo, galvanismo, alcoolismo, reumatismo,
traumatismo.

-ista

a)         sectários de certas doutrinas: calvinista, bramanista, budista, materialista,
espiritista, socialista, capitalista, federalista, gongorista, simbolista, modernista,
impressionista.
b)         ofícios, agentes: flautista, florista, telefonista, maquinista, latinista, dentista,
acionista, tenista, esportista.
c)         adeptos de determinadas formas de agir ou pensar: oportunista, golpista,
saudosista, emancipacionista, desenvolvimentista, arrivista, revanchista.
d) nomes pátrios ou indicadores de origem: nortista, sulista, paulista, santista,
campista.

5.         Formam adjetivos de substantivos ou de outros adjetivos

-aco

estado íntimo; pertinência; origem: maníaco, demoníaco, austríaco, siríaco.


OBSERVAÇÃO

A relação entre as palavras formadas pelos sufixos -ismo e -ista é óbvia: modernismo/modernista; calvinismo/calvinista, etc. Note, no entanto, que não é uma relação obrigatória: protestantismo/protestante; maometismo/maometano; islamismo/islamita.


-ado
a)         provido, cheio de: barbado, ciliado, dentado.
b)         que tem caráter de: adamado, afeminado, amarelado, avermelhado.


-aico

referência, pertinência; origem: prosaico, onomatopaico, judaico, caldaico, aramaico.

-ano

a)         pertinência; proveniência; relação com:
humano, mundano, serrano.
b)         adeptos de doutrinas estéticas, religiosas, filosóficas: maometano,
luterano, angl cano, camoniano, shakespeariano, horaciano.
c)         nomes pátrios: americano, baiano, pernambucano, peruano, prussiano,
açoriano, alentejano.

-ão

proveniência, origem: alemão, coimbrão, beirão, aldeão.

-al, -ar

relação, pertinência: dorsal, causal, substancial, anual, pessoal; escolar, palmar,
vulgar, solar, lunar; consular; familial ou familiar.

-eiro, -ário

relação; posse; origem: verdadeiro, rasteiro, costeiro, originário, ordinário, diário,
subsidiário, tributário, mineiro, brasileiro.

-engo, -enho, -eno

relação; procedência, origem: mulherengo, avoengo, solarengo, flamengo;
ferrenho, estremenho, madrilenho, panamenho, portenho; nazareno, terreno, tirreno, chileno.

-ento

provido ou cheio de; que tem o caráter de: sedento, rabugento, peçonhento, cinzento, ciumento, corpulento, turbulento, opulento, barrento, vidrento.


-ês, -ense

relação; procedência, origem: francês, inglês, genovês, milanês, escocês,
irlandês; paraense, cearense, maranhense, vienense, parisiense, catarinense,
forense.

-eo

relação; semelhança; matéria: róseo, férreo.

-esco, -isco

referência; semelhança: burlesco, dantesco, mourisco.

-este, -estre

relação: agreste, celeste; campestre, terrestre, alpestre, silvestre.

-eu

e relação; procedência, origem: europeu, judeu, caldeu, hebreu, filisteu, cananeu.

-ico, icio

relação; procedência: bíblico, melancólico, pérsico, céltico, britânico, ibérico,
geométrico; alimentício, natalício.

-il

referência; semelhança: febril, infantil, senhoril, servil, varonil, estudantil, fabril.

-ino

relação; origem; natureza: argentino, florentino, bizantino, cristalino, leonino, alabastrino, diamantino, londrino, bovino.

-ita

relação; origem: ismaelita, israelita, jesuita.

-onho

propriedade; hábito: medonho, risonho, enfadonho, tristonho.

-oso

provido, cheio de; que provoca: orgulhoso, furioso, desejoso, rigoroso, noticioso,
leitoso, suIfuroso, montanhoso, pedregoso, temeroso, lamentoso, lastimoso,
vergonhoso, angustioso.

-tico

relação: aromático, problemático, asiático, rústico.

-udo

provido de, cheio de ou com a forma de, muitas vezes com idéia de
desproporção: sisudo, pontudo, bicudo, peludo, cabeludo, narigudo, espadaúdo,
repolhudo, bochechudo, carnudo, polpudo.


6.         Formam adjetivos de verbos

-ante, -ente, -inte

ação; qualidade; estado: semelhante, tolerante; doente, resistente; constituinte,
seguinte.

-io, -ivo

ação; referência; modo de ser: escorregadio, erradio, fugidio, tardio, prestadio;
pensativo, lucrativo, fugitivo, afirmativo, negativo, acumulativo.

-iço, icio

referência; possibilidade de praticar ou sofrer ação: abafadiço, movediço, que-
bradiço, alagadiço, metediço; acomodatício, factício, translatício, sub-reptício.

-doiro, -douro, -tório
ação, muitas vezes de valor futuro; pertinência: casadoiro; duradouro, vindouro;
inibitório, preparatório, emigratório.

-vel

possibilidade de praticar ou sofrer ação: desejável, vulnerável, remediável, substituível, suportável, louvável, admissível, reduzível, removível, corrigível, discutível.



7.         Forma advérbios de adjetivos

-mente

justamente, vaidosamente, livremente, burguesmente, perigosamente, firmemente,
fracamente.


8.         Formam verbos de substantivos e adjetivos

-ar

murar, jardinar, telefonar, ancorar, ordenar; almoçar.

-ear

sapatear, floretear; golpear, saborear, saquear; mastrear; folhear; sanear; clarear.

-ejar

lacrimejar, gotejar; gaguejar, voejar.

-entar

amolentar; aformosentar.

-ecer, -escer

favorecer; escurecer; florescer; rejuvenescer.

-ficar

falsificar, petrificar, exemplificar, fortificar, dignificar; purificar.

-ilhar

dedilhar; fervilhar.

-inhar

escrevinhar, cuspinhar.

-iscar

chuviscar; lambiscar.

-itar

saltitar, dormitar.

-izar

organizar, civilizar; harmonizar, fertilizar, esterilizar; tranqúilizar; vulgarizar,
simpatizar; economizar; arborizar.


9.         Sufixos aumentativos


-ão, -eirão, -arrão, -alhão, -zarrão

casarão, caldeirão, paredão; chapeirão; grandalhão, vagalhão; homenzarrão.

-aça, -aço, -uça

barcaça, barbaça; ricaço, doutoraço, mulheraço; dentuça.

-alha

fornalha

-anzil

corpanzil


OBSERVAÇÃO

Os verbos novos da língua são criados pelo acréscimo da terminação -ar a substantivos e adjetivos. Essa terminação é formada pela vogal temática da primeira conjugação seguida pela desinência do infinitivo impessoal, atuando como um verdadeiro sufixo. Os demais sufixos costumam conter detalhes de significado aos verbos que formam.

Observe:

-ear

indica ação repetida (cabecear folhear) ou ação que se prolonga (clarear). O
mesmo acontece com -ejar: gotejar, velejar.

-entar

indica processo de atribuição de uma qualidade ou estado (amolentar). O mesmo
se dá com -ficar e -izar: clarificar, solidificar,  civilizar, atualizar.

-iscar

indica ação repetida e diminuída; chuviscar, lambiscar. O mesmo ocorre com

-itar (dormitar; saltitar), -ilhar e outros. No caso de -inhar, muitas vezes há sentido

depreciativo, como em escrevinhar.

-a réu

fogaréu, povaréu, mundaréu.

-arra, -orra

bocarra, naviarra; beiçorra, cabeçorra.

-az, alhaz, arraz

ladravaz, linguaraz, fatacaz, machacaz; facalhaz; pratarraz.

-astro

medicastro, poetastro.



10.       Sufixos diminutivos

-acho, -icho, -ucho

riacho, fogacho; governicho, barbicha; gorducho, papelucho, casucha.

-ebre

casebre

-eco, -ico

livreco, soneca, padreco; burrico, marica.

-ejo

lugarejo, animalejo.

-ela

ruela, viela, magricela.

-elho, -ilho, -ilha

folhelho, rapazelho; pecadilho; tropilha.

-ete, -eta, -eto

tiranete, fradete, artiguete, lembrete, diabrete; saleta, lingüeta; esboceto.

-inho, -inha, -zinha, -zinho

livrinho, pratinho, branquinho, novinho, bonitinho, toquinho, caixinha, florzinha,
vozinha.

-im

 espadim, lagostim, camarim, fortim.

-ino

pequenino

-isco, -usco

chuvisco, petisco; velhusco.

-ito, -ita, -zito

casita, rapazito, copito; amorzito, jardinzito, florzita.


-ola
rapazola, bandeirola, portinhola, fazendola.

-ote, -oto, -ota

rapazote, caixote, velhote, fidalgote, saiote; perdigoto; velhota.

-ulo, -ula, -culo, -cula

glóbulo, grânulo, nódulo, régulo; corpúsculo, minúsculo, homúnculo, montículo, opúsculo, versículo; radícula, gotícula; partícula, película, questiúncula.


OBSERVAÇÃO: É fácil notar que muitas vezes os sufixos aumentativos e diminutivos sugerem deformidade (como em beiçorra, cabeçorra), admiração (carrão), desprezo (asneirão, poetastro, artiguete), carinho (paizinho, pequenino), intensidade (alegrinho), ironia (safadinha) e vários outros matizes semânticos. No caso dos sufixos pertencentes ao último grupo apresentado, temos a formação de diminutivos eruditos - diretamente importados do latim -, os quais são muito usados na terminologia científica.

Na Língua Portuguesa as palavras são classificadas de acordo com o papel que exercem dentro da frase. São dez as classes de palavras em português, e cada uma delas tem função específica na frase. qualquer vocábulo em língua portuguesa vai ter de estar inserido em uma dessas dez classes de palavras.

- Substantivo - palavra variável, que designa ou dá nome a todos os seres existentes - pessoas, objetos, animais, lugares, sentimentos, etc.

- Adjetivos - palavra variável que atribui características aos substantivos.

- Artigo - palavra variável que sempre precede o substantivo, tendo inclusive o poder de, colocada antes de uma palavra de qualquer classe, tranformá-la em substantivo.

- Verbo - palavra variável que informa ação, estado, fato ou fenômeno.

- Advérbio - palavra que, realacionada ao verbo, ao adjetivo ou mesmo a outro advérbio, modifica as circunstâncias de modo, tempo, instrumento, origem, intensidade, lugar, etc.

- Pronome - palavra variável que se refere ao substantivo ou o substitui. Ver: Pessoas do discurso

- Numeral - palavra que indica a idéia de número, quantidade.

- Conjunção - palavra invariável que serve de elo entre as frases e orações.

- Preposição - palavra invariável que faz a ligação de termos, estabelecendo depêndencia entre eles. Exemplo: Pista de corrida.

- Interjeição - palavra ou expressão que exterioriza emoção ou sentimento.

_______________________________________________
Sugestões de exercícios com classes de palavras.
1- As conjunções são utilizadas para ligar as orações e estabelecer relação entre elas. Marque um (X) na lista onde todas as palavras que são conjunções.

a)( ) abacaxi, criança, sorriso, caminhos.
b)( ) difícil, trabalhoso, gentil, bonita.
c)( ) ele, nós, você, tu.
d)( ) porque, mas, quando, e.

2 - Qual a classe gramatical da palavra destacada na frase abaixo?

A pessoa se casa planejando ser feliz.
a)( ) artigo
b)( ) adjetivo
c)( ) verbo
d)( ) substantivo

3 – Marque a classe gramatical a que pertence a palavra destacada na frase abaixo.

Eles compraram uma bela casa aqui no bairro.
a)( ) artigo
b)( ) adjetivo
c)( ) verbo
d)( ) substantivo

Respostas: 1 - d), 2 - c) , 3 - d)


4 – Complete com o que se pede:

a) Vou comprar ____ carro novo. (artigos indefinido no singular)

b) Vou comprar ____ carro novo. (artigo definido no singular)

c) Buscarei _____ frutas para fazer vitamina. (artigo indefinido no plural)

d) Vi quando ____ pessoa passou por aqui e ela estava feliz. (artigo definido no singular)

e) Comprarei ____ fruta para dar à criança. (artigo definido no singular)

Resposta: a) um, b) 0 , c) umas, d) a, e) a


5 - Carlos Henrique é um menino esperto, estuda muito e quando não entende alguma coisa, pergunta e procura formas de conseguir aprender. Ele não faz questão de ser o primeiro da turma, mas sabe que para ter uma vida melhor, precisa se esforçar.


a) Escreva o substantivo que está sendo substituído pelo pronome ele. ____________________


b) Retire numeral do texto. ________________________

c) Ache o adjetivo e escreva aqui:____________________

Respostas : a) Carlos Henrique, b) primeiro, c) esperto, melhor.

O um e o uma, nesta frase, não são numerais , são artigos indefinidos. Esse exercício também pode servir de exemplo para explicar às crianças como distinguir entre artigos indefinidos e numerais.



ATIVIDADES
1.         Responda a cada um dos itens a seguir com uma palavra formada por
sufixação. Como se chama:
a)         o golpe dado com a cabeça?
b)         um grupo de rapazes?
c)         o conjunto de eleitores de uma dada região?
d)         a ação de lavar?
e)         uma plantação de jabuticabeiras?
1)         um grupo de políticos desonestos?
g)         o estabelecimento onde se vendem queijos?
h)         o comerciante de queijos?
i)          a planta cujo fruto é o café?
j)          o recipiente onde se guarda manteiga?

2.         Substitua os verbos destacados por substantivos formados por derivação.
Faça todas as modificações necessárias para obter frases inteligíveis.
a)         Todos (decidiram) manter as reivindicações.
b)         Todos decidiram (manter) as reivindicações.
c)         Esperamos que os prazos estipulados (sejam cumpridos).
d)         Atenderemos a todos de acordo com a ordem segundo a qual (chegaram).
e)         Continuaremos até que (tenhamos obtido) êxito.
f)          Os moradores querem que as obras sejam (continuadas).
g)         Os representantes dos países envolvidos no processo recomendaram que
as contas (fossem bloqueadas).
h)         Os representantes dos países envolvidos no processo (recomendaram) que
as contas fossem bloqueadas.

3. Substitua as expressões destacadas por nomes formados por sufixação. Faça
todas as modificações necessárias para obter frases inteligíveis.
a)         (Aqueles que mantêm) esta entidade decidiram tomar providências (que
saneiem suas finanças).
b)         É um candidato (que não se pode eleger). Suas idéias privilegiam (aqueles
que desrespeitam) as instituições.
c)         (Aquelas que conduzem) o movimento (de reivindicação) devem ser
cercadas por medidas (que as protejam).
d)         (Os que venceram) a competição receberão prêmios (que não se podem des-
crever).
e)         A presença (dos que defendem) nossa posição é fator (de que não se pode
prescindir).
f)          Foi uma decisão que agradou aos que lutam para que a floresta (seja
preservada).
g)         Ele entrou de (forma atabalhoada).

4.         Não é apenas na língua portuguesa que se estuda na escola que os sufixos
são usados para formar novas palavras: isso acontece também na língua
portuguesa do cotidiano e dos veículos de comunicação de massa. Baseado no
seu conhecimento do valor dos sufixos, explique o sentido das seguintes
palavras:

a) tietar, tietagem
b) badalação, esnobação
c) sanduicheria, danceteria
d) roqueiro, grafiteiro
e) pichador, pichação
f) prefeiturável, ministeriável, presidenciável
g) carreata
h) bacanão, durão

TEXTO PARA ANÁLISE

Pátria minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades da minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto ajeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
A espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha patria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.


Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.


Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes".
(MORAES, Vinicius de, Poesia completa e prosa.
2. ed. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1985. p. 267-9.)




TRABALHANDO O  TEXTO

1.         Identifique o sufixo presente nas palavras doçura, quentura e ternura e indique
o tipo de modificação que produz nas palavras primitivas.

2.         Identifique o afixo que surge na palavra sedenta e explique que tipo de
modificação ele introduz na palavra primitiva.

3.         Qual o processo de formação das palavras amanhecer e acorrentar? Explique
o que particulariza esse processo em relação à prefixação e à sufixação.

4.         Explique o processo de formação da palavra invisível.

5.         Retire do texto um caso de derivação imprópria. Comente-o.

6.         "Eu, o sem Deus!"
Que tipo de papel exerce a preposição sem nessa frase? Comente.

7.         A relação do sujeito lírico com a pátria incorpora um processo de
personificação: a pátria tem cabelos, não tem sapatos nem meias, tem vestido.
Observe o papel exercido pelos sufixos diminutivos nesse processo e comente-o.

Para mascar com chiclets
Quem subiu, no novelo do chiclets,
ao fim do fio ou do desgastamento,
sem poder não sacudir fora, antes,
a borracha infensa e imune ao tempo;
imune ao tempo ou o tempo em coisa,
em pessoa, encarnado nessa borracha,
de tal maneira, e conforme ao tempo,
o chiclets ora se contrai ora se dilata,
e consubstante ao tempo, se rompe,
interrompe, embora logo se reemende,
e fique a romper-se, a reemendar-se,
sem usura nem fim, do fio de sempre.
No entanto quem, e saberente que ele
nao encarna o tempo em sua borracha.
quem já ficou num primeiro chiclets
sem reincidir nessa coisa (ou nada).

2.
Quem pôde não reincidir no chiclets,
e saberente que não encarna o tempo:
ele faz sentir o tempo e faz o homem
sentir que ele homem o está fazendo.
Faz o homem, sentindo o tempo dentro,
sentir dentro do tempo, em tempo-firme.
e com que, mascando o tempo chiclets,
iImagine-o bem dominado, e o exorcize.
(MELO NETO, João Cabral de. Poesias completas ( 1940-1965) . 4. ed. Rio de
Janeiro. José Olympio, 1986. p. 43.)

TRABALHANDO O TEXTO
1. Faça a depreensão dos morfemas presentes nas palavras desgastamento e
encarnado e explique os processos de formação que lhes deram origem.

2. Quais afixos podem ser percebidos na palavra consubstante? Qual o sentido que
tem essa palavra?

3.         A aproximação das palavras rompe e interrompe revitaliza o valor do prefixo
presente nesta última? Explique.

4.         Retire do texto as palavras em que surge o prefixo re- e comente as
modificações que ele produz nas palavras primitivas.

5.         Qual o sentido da palavra saberente? Que tipo de afixo participa de sua
formação?

6.         É possível relacionar o prefixo presente na palavra exorcizar com o
significado que tem essa palavra? Comente.
7.         Os prefixos são considerados um recurso muito eficiente para apresentar
idéias e conceitos de forma sintética. Isso acontece no texto? Comente.

8.         Explique a relação que o texto estabelece entre o chiclets e o tempo. Que tipo





COMPOSIÇÃO
A composição produz palavras compostas a partir da aproximação de palavras simples. As palavras simples são aquelas em que há um único radical, como amor e perfeito. Para que ocorra o processo de composição, é necessário estabelecer entre essas palavras um vínculo permanente, que faz com que surja um novo significado: é o que ocorre quando formamos o composto amor-perfeito, que dá nome a uma flor. O significado não é o mesmo da expressão amor perfeito, na qual cada palavra mantém seu significado original: trata-se do sentimento amoroso  manifestado de forma perfeita. Em amor-perfeito há uma única palavra que dá nome a um organismo vegetal. A composição também pode ser feita por meio do uso de radicais que não têm vida independente na língua. Isso ocorre basicamente na formação de palavras que recebem o nome de compostos eruditos por serem formadas com radicais gregos e latinos. E o caso, por exemplo, de democracia, patogênese, alviverde, agricultura e outras, usadas principalmente na nomenclatura técnica e científica.

Tipos de composição

Quanto à forma que adquire a palavra composta, costumam-se apontar dois tipos de composição:

a) composição por justaposição - ocorre quando os elementos que formam o composto são simplesmente colocados lado a lado (justapostos), sem que se verifique qualquer alteração fonética em algum deles: segunda-feira, pára-raios, corre-corre, guarda-roupa, amor-perfeito, pé-de-moleque, girassol, passatempo. O que caracteriza a justaposição é a manutenção da integridade sonora das palavras que formam o composto, e não a forma de grafá-lo: passatempo e girassol, apesar de serem escritos sem hífen, são
compostos por justaposição;


b)         composição por aglutinação - ocorre quando os elementos que formam o  composto se aglutinam, o que significa que pelo menos um deles perde sua integridade sonora, sofrendo modificações. Observe os exemplos e note as transformações sofridas pelas palavras formadoras: vinagre (vinho + acre),
aguardente (água + ardente), pernalta (perna + alta), planalto (plano + alto). Também se incluem neste caso muitos compostos eruditos (como retilíneo, crucifixo, ambidestro, demagogo e outros), cuja identificação requer conhecimentos mais especializados.

As possibilidades de composição são imprevisíveis: podem-se formar compostos pelo relacionamento de palavras pertencentes a praticamente todas as classes gramaticais. Há, por exemplo, compostos formados por substantivo + substantivo (porco-espinho), substantivo + adjetivo (amor-perfeito), advérbio + adjetivo
(sempre-viva), verbo + substantivo (pára-choques). A principal função do processo de composição é a criação de novas palavras para denominar novos objetos, conceitos ou ocupações. Essa função  denominadora pode ser dada de forma descritiva ou metafórica. Palavras como papel-alumínio, relógio-pulseira ou lava-louças são descritivas porque buscam dar nome a objetos por meio de suas características ou finalidades mais relevantes. Louva-a-deus e arranha-céu são compostos de origem metafórica, pois resultam de um evidente uso figurado da linguagem.
O surgimento de novas palavras compostas na língua é constante, uma vez que a necessidade de encontrar nomes específicos para novos objetos e conceitos é ininterrupta. Dessa forma, podemos perceber na língua atual a transformação de expressões em novas palavras. Pense, por exemplo, na expressão três em um (que na linguagem publicitária já aparece "três-em-um"), que dá nome a certas combinações de aparelhos de som. Aliás, pense na própria expressão aparelho de som, que já é praticamente uma palavra composta (como máquina de lavar ou máquina de costura). Em alguns casos, podemos observar que já existe a consciência de que se está lidando com uma palavra composta, como é o caso de ponto de vista e meio ambiente, expressões que vêm sendo grafadas "ponto-de-vista" e "meio-ambiente" com freqüência cada vez maior.

ATIVIDADE
Identifique o processo de formação das seguintes palavras:
a) paIidez
b) empalidecer
c)boquiaberto
d) pára-quedas
e) invulnerável
f) pontiagudo
g) audiovisual
h) o recuo
i) correntista (fantasma)


A composição

A composição é o processo de formação que dá origem a palavras compostas (aquelas em que há pelo menos dois radicais) pela aproximação de palavras simples ou de radicais eruditos. Se os elementos formadores mantiverem sua integridade sonora, ocorre composição por justaposição. Se pelo menos um
deles sofre alterações na sua configuração sonora, ocorre composição por aglutinação. - fim do quadro.

Radicais e compostos eruditos

O mecanismo da composição é utilizado para a formação de um tipo especifico de palavras conhecidas como compostos eruditos, assim chamados porque em sua formação se utilizam elementos de origem grega e latina que foram diretamente importados dessas línguas com essa finalidade. Por isso, esses compostos são também chamados de helenismos e latinismos eruditos. São palavras como pedagogia e quiromancia (formadas de elementos gregos) ou arborícola e uxoricida (formadas por elementos latinos), normalmente criadas para denominar objetos ou conceitos relacionados com as ciências e as técnicas. Muitas delas acabam se tornando cotidianas (telefone, automóvel, democracia e agricultura, por exemplo).

Apresentamos a seguir duas relações de radicais gregos e duas relações de radicais latinos. A primeira relação de radicais gregos e a primeira relação de radicais latinos agrupa os elementos formadores que normalmente são colocados no início dos compostos; a segunda relação de radicais agrupa, em cada caso, os elementos formadores que costumam surgir na parte final dos compostos. Adotamos esse procedimento a fim de facilitar seu trabalho de consulta: ao encontrar determinado exemplo na relação dos radicais que costumam ser o primeiro elemento do composto, você poderá mais rapidamente verificar o valor do segundo elemento na relação dos radicais que costumam figurar no final dos compostos. Atente para o fato de que determinados radicais costumam aparecer em determinadas posições nos compostos; nada os impede de surgir em posição diferente.

Alguns dos radicais que colocamos nas relações a seguir são considerados prefixos por alguns autores; outros estudiosos preferem chamá-los "elementos de composição". Acreditamos que essas questões terminológicas são pouco importantes para você, que tem finalidades mais práticas. Observe que muitas palavras que fazem parte das suas aulas de Biologia, Química e Física podem ser encontradas nas relações abaixo; observe, principalmente, que o conhecimento do significado dos elementos que as constituem muitas vezes nos ajuda a compreender os conceitos e seres que denominam.



RADICAIS GREGOS

Elementos que normalmente surgem na parte inicial do composto
           
Radical, significado e exemplo:

acr-, acro- (alto, elevado) acrópole, acrofobia, acrobata
aer-, aero- (ar) aeródromo, aeronauta, aeróstato, aéreo
agro- (campo) agrologia, agronomia, agrografia, agromania
al-, alo- (outro, diverso) alopatia, alomorfia
andr-, andro- (homem, macho) androceu, andrógino, andróide, androsperma
anemo- (vento) anemógrafo, anemômetro
angel-, angelo- (mensageiro, anjo) angelólatra, angelogia
ant-, anto- (flor) antologia, antografia, antóide, antomania
antropo- (homem) antropógrafo, antropologia, filantropo
aritm-, aritmo- (número) aritmética, aritmologia, aritmomancia
arque- (primeiro, origem) arquétipo, arquegônio
arqueo- (antigo) arqueografia, arqueologia, arqueozóico
aster-, astro- (estrela, astro) asteróide, astrólogo, astronomia
auto- (próprio) autocracia, autógrafo, autômato
bari-, baro- (peso) barômetro, barítono, barisfera
biblio- (livro) bibliografia, biblioteca, bibliófilo
bio- (vida) biografia, biologia, macróbio, anfíbio
caco- (mau) cacofonia, cacografia
cali- (belo) califasia, caligrafia
cardi-, cardio- (coração) cardiologia, cardiografia
cin-, cine-, cines- (movimento) cinestesia, cinemática
core-, coreo- (dança) coreografia, coreógrafo
cosmo- (mundo) cosmógrafo, cosmologia
cript-, cripto- (escondido) criptônimo, criptograma
cris-, criso- (ouro) crisálida, crisântemo
crom-, cromo- (cor) cromossomo, cromogravura, cromoterapia
crono- (tempo) cronologia, cronómetro, cronograma
datilo- (dedo) datilografia, datiloscopia
demo- (povo) demografia, democracia, demagogia
dinam-, dinamo- (força, potência) dinamômetro, dinamite
eco- (casa) ecologia, ecossistema, economia
eletro- (âmbar, eletricidade) elétrico, eletrômetro
enter-, entero- (intestino) enterite, enterogastrite
ergo- (trabalho) ergonomia, ergometria
estere-, estereo- (sólido, fixo) estereótipo, estereografia
estomat-, estomato- (boca, orifício) estomatite, estomatoscópio
etno- (raça) etnografia, etnologia
farmaco- (medicamento)           farmacologia, farmacopéla
filo- (amigo)      filósofo, filólogo
fisio- (natureza) fisiologia, fisionomia
fono- (voz)       eufonia, fonologia
fos-, foto- (luz) fósforo, fotofobia
gastr-, gastro- (estômago) gastrite, gastrônomo
gen-, geno- (que gera) genótipo, hidrogênio
geo- (terra) geografia, geologia
ger-, gero- (velhice) geriatria, gerontocracia
helio- (sol) heliografia, helioscópio
hemi- (metade) hemisfério, hemistíquio
hemo-, hemato- (sangue) hemoglobina, hematócrito
hetero- (outro) heterônimo, heterogêneo
hidro- (água) hidrogênio, hidrografia
hier-, hiero- (sagrado) hieróglifo, hierosolimita
hipo- (cavalo) hipódromo, hipopótamo
homo-, homeo- (semelhante) homeopatia, homógrafo, homogêneo
icono- (imagem) iconoclasta, iconolatria
idio- (peixe) ictiófago, ictiologia
iso- (igual) isócrono, isósceles
lito- (pedra) litografia, litogravura
macro- (grande) macrocéfalo, macrocosmo
mega-, megalo- (grande) megatério, megalomaníaco
melo- (canto) melodia, melopéia
meio- (meio) mesóclise, Mesopotâmia
micro- (pequeno) micróbio, microcéfalo, microscópio
miso- (que odeia) misógino, misantropo
mito- (fábula) mitologia, mitômano
necro- (morto) necrópole, necrotério
neo- (novo) neolatino, neologismo
neuro-, nevr- (nervo) neurologia, nevralgia
odonto- (dente) odontologia, odontalgia
ofi-, oflo- (cobra, serpente) ofiologia, ofiomancia
oftalmo- (olho) oftalmologia, oftalmoscópio
onomato- (nome) onomatologia, onomatopéia
ornit-, omito- (ave) ornitologia, ornitóide
oro- (montanha) orogenia, orografia
orto- (reto, justo)ortografia, ortodoxo
oste-, osteo- (osso) osteoporose, osteodermo
oxi- (ácido, agudo) oxítona, oxígono, oxigênio
paleo- (antigo) paleografia, paleontologia panteismo,
pan- (todos, tudo) pan-americano
pato- (doença, sentimento) patologia, patogenético, patético
pedi-, pedo- (criança) pediatria, pedologia
piro- (fogo) pirólise, piromania, pirotecnia
pluto- (riqueza) plutomania, plutocracia
poli- (muito) policromia, poliglota, polígrafo, polígono
potamo- (rio) potamografia, potamologia
proto- (primeiro) protótipo, protozoário
pseudo- (falso) pseudônimo, pseudópode
psico- (alma, espírito) psicologia, psicanálise
quiro- (mão) quiromancia, quiróptero
rino- (nariz) rinoceronte, rinoplastia
rizo- (raiz) rizófilo, rizotônico
sider- (ferro) siderólito, siderurgia
sismo- (abalo, tremor) sismógrafo, sismologia
taqui (rápido)taquicardia, taquigrafia
tax-, taxi-, taxio- (ordem, arranjo) taxiologia, taxidermia
tecno- (arte, oficio, indústria) tecnologia, tecnocracia, tecnografia
tele- (longe) telegrama, telefone, telepatia
teo- (deus) teocracia, teólogo
term-, termo- (calor)  termômetro, isotérmico
tipo- (figura, marca) tipografia, tipologia
topo- (lugar) topografia, toponímia
xeno- (estrangeiro) xenofobia, xenomania
xilo- (madeira) xilógrafo, xilogravura
zoo- (animal)zoógrafo, zoologia

NUMERAIS

Radical,  significado, e exemplos:

mon-, mono- (um)         monarca, monogamia
di- (dois) dipétalo, dissílabo
tri- (três) trilogia, trissílabo
tetra- (quatro) tetrarca, tetraedro
pent-, penta- (cinco)  pentatlo, pentágono
hexa- (seis)       hexágono, hexâmetro
hepta- (sete)     heptágono, heptassílabo
octo- (oito)       octossílabo, octaedro
enea- (nove)     eneágono, eneassílabo
deca- (dez)       decaedro, decalitro
hendeca- (onze) hendecassílabo, hendecaedro
dodeca- (doze) dodecassílabo
icos- (vinte)      icosaedro, icoságono
hecto-, hecato- (cem) hectoedro, hecatombe, hectômetro, hectograma
quilo- (mil)        quilograma, quilômetro
miria- (dez mil - inumerável) miriâmetro, miríade, miriápode

Elementos que normalmente surgem na parte final do composto

Radical , significado e exemplos

-agogia (condução)      pedagogia, demagogia
-agogo (que conduz) demagogo, pedagogo
-algia (dor)        cefalalgia, nevralgia
-arca (que comanda) heresiarca, monarca
-arquia (comando, governo) autarquia, monarquia


RADICAL, SIGNIFICADO E EXEMPLOS

- astenia(debilidade)     neurastenia, psicastenia
-céfaIo (cabeça)           macrocéfalo, microcéfalo
-ciclo (círculo)   bicicleta, hemiciclo
 -cracia (poder) democracia, plutocracia, gerontocracia
  -derme (pele)  endoderme, epiderme
-doxo (que opina)         ortodoxo, heterodoxo
-dromo (lugar para correr)         hipódromo, velódromo
-edro (base, face)         pentaedro, poliedro
-eido, -óide (forma, semelhança) caleidoscópio, asteróide, aracnóide
-fagia (ato de comer)    aerofagia, antropofagia
-fago (que come)          antropófago, necrófago- filia (amizade) bibliofilia, lusofília
-fobia (inimizade, aversão) fotofobia, hidrofobia
-fobo (que tem aversão)           xenófobo, zoófobo
-foro (que leva ou conduz)        fósforo, semaforo
-gamia (casamento)      monogamia, poligamia
-gamo (que casa)         bígamo, polígamo
-glota, -glossa (língua)  poliglota, isoglossa
-gono (ângulo)  pentagono, polígono
-grafia (escrita, descrição)        ortografia, geografia
-grafo (que escreve)     calígrafo, polígrafo
-grama (escrito, peso)   telegrama, quilograma
-logia (discurso, tratado, ciência)          arqueologia, fonologia
-logo (que fala ou trata)            dialogo, teólogo
-mancia (adivinhação)   necromancia, quiromancia
-mania (loucura, tendência)       megalomania, piromania
-mano (louco, inclinado)           bibliômano, mitômano
-maquia (combate)        logomaquia, tauromaquia
-metria (medida)           antropometria, biometria
-metro (que mede)        hidrômetro, pentâmetro
-morfo (que tem forma de) antropomorfo, polimorfo
-nomia (lei, regra)          agronomia, astronomia
-nomo (que regula) autônomo, metrônomo
-orama (espetáculo) panorama, cosmorama
-péia (ato de fazer) melopéia, onomatopéia
-pólis, -pole (cidade) Petrópolis, metrópole
-ptero (asa)       díptero, helicóptero
-scopia (ato de ver) macroscopia, microscopia
-scópio (instrumento para ver)   microscópio, telescópio
-sofia (sabedoria)         filosofia, teosofia
-stico (verso) dístico, monóstico
-teca (lugar onde se guarda) biblioteca, discoteca
-terapia (cura) fisioterapia, hidroterapia
-tomia (corte, divisão) dicotomia, neurotomia
tono (tensão, tom)        barítono, monótono
-trof, -trofia (nutrição) atrofia, hipertrofia


Elementos que normalmente surgem na parte inicial do composto

Radical , significado e exemplo:

agri-, agro- (campo)agrícola, agricultura
ali- (asa) alígero, alípede, aliforme
alti- (alto) altissonante, altiplano
alvi- (branco) alviverde, alvinegro
ambi- (ambos) ambidestro
api- (abelha) apicultura, apiário, apícola
arbori- (arvore) arborícola
auri- (ouro) auriverde, auriflama
avi- (ave)
bis-, bi- (duas vezes) bisavô
avi- (ave) avicultura
bel-, beli- (guerra) belígero, beligerante
ferri-, ferro- (ferro) ferrovia
calori- (calor) calorífero
cruci- (cruz) crucifixo
curvi- (curvo) curvilíneo
cent- (cem) centavo, centena, centopéia
equi-, eqüi- (igual) equilátero, equivalência ou eqüivalência
fili- (filho) filicídio, filial
fratri-, frater- (irmão) fratricida, fraternidade
igni- (fogo) ignívomo
lati- (grande, largo) latifoliado, latifúndio
loco- (lugar) locomotiva
matri- (mãe) matrilinear, matriarcal
maxi- (muito grande) maxidesvalorização, maxissaia
mili- (mil, milésima parte) milípede, milímetro
mini- (muito pequeno) minissaia, minifúndio
morti- (morte) mortífero
multi- (muito) multiforme, multidimensional
nocti- (noite, trevas) noctívago, nocticolor
nubi- (nuvem) nubívago, nubífero
oni- (todo) onipotente
patri- (pai) patrilinear, patrilocal
pedi- (pé) pedilúvio
pisci- (peixe) piscicultor
pluri- (muitos) pluriforme, plurisseriado
quadri- (quatro) quadrimotor, quadrúpede
reti- (reto) retilíneo
tri- (três) tricolor
umbri- (sombra) umbrívago, umbrífero
uni- (um) uníssono
uxori- (esposa) uxório, uxoricida
vermi- (verme) vermífugo

Elementos que normalmente surgem na parte final do composto

Radical , significado, e exemplo:
-cida (que mata) regicida, fratricida
-cola (que cultiva ou habita) vitícola, arborícola
-cultura (ato de cultivar) apicultura, piscicultura
-fero (que contém ou produz) aurífero, flamífero
-fico (que faz ou produz) benéfico, frigorífico
-forme (que tem forma de) cuneiforme, uniforme
-fugo (que foge ou que faz fugir) centrífugo, febrifugo
-gero (que contém ou produz) armígero, belígero
-paro (que produz) multíparo, ovíparo
-pede (pé) palmípede, velocípede
-sono (que soa) borrissono, uníssono
-vago (que anda) nubivago, noctívago
-vomo (que expele) fumívomo, ignívomo
-voro (que come) carnívoro, herbívoro
- nota de ledora: quadro em destaque na página:

OBSERVAÇÃO:
Há palavras que combinam elementos gregos e latinos: televisão, automóvel, genocídio, homossexual e outras. São chamadas de hibridismos. Existem hibridismos em que se combinam elementos de origens bastante diversas, como goiabeira (tupi e português), abreugrafia (português e grego), sambódromo
(quimbundo - uma língua africana - e grego), surfista (inglês e grego), burocracia (francês e grego), e outros. Como você vê, trata-se de palavras muito usadas no cotidiano comunicativo, o que torna absurda a intenção de certos gramáticos de considerar os hibridismos verdadeiras aberrações devido à sua origem "mestiça".

ATIVIDADES
1.         Identifique os elementos formadores e dê o significado de cada um dos
compostos abaixo:

a) democracia
b) gerontocracia
c) tecnocracia
d) plutocracia
e) talassocracia
f) teocracia
g) autocracia
h) aristocracia
i) burocracia

2.         Faça o mesmo com os compostos abaixo:
a)         quiromancia     
b)         oniromancia     
c)         piromancia
d)         ornitomancia
e)        onomatomancia
f)        aritmomancia

3.         Idem:
a) entomologia
b) zoologia                  
c) fitologia
d) geologia
e)         ornitologia            
f)          ictiologia         
g)         biologia           
h)         filologia           
i)          fonologia        
j)          morfologia      
l)         cardiologia
m)        ginecologia     
n)         psicologia       
o)         sociologia       
p)         teologia           
q)         antologia
s)        enologia

4.         Idem:                          
            a)         cistalgia
            b)         ostealgia
            c)         cefalalgia
             d)       odontalgia
             e)        mialgia           
              f)       otalgia
                       

  5.  Idem:                   

a)         anônimo          

b)         homônimo       

c)         heterônimo

d)         criptônimo       

e)         pseudônimo

f) ortônimo      
g) antropônimo
h) topônimo     
i) sinônimo      
j) antônimo      


6.  Idem:          

a) sintaxe

b) cleptomania            

c) megalomania

d) nefelibata    

e) acrobata      
f) acrofobia
g) tanatofobia  
h) semáforo     
 i) economia    
j) rinoceronte   
l) hipopótamo

m) estereótipo
n) poliglota      
o) ortopedia
p) hematófago
q) metafísica


 7.        Idem:
a) agricultura    
c) triticultura     
 e) fruticultura          
b) piscicultura
d) rizicultura
f) avicultura

8.         Reescreva as frases seguintes, substituindo as expressões destacadas por
compostos eruditos:
a) Certos políticos têm (incontinência de linguagem).
b) Sua (paixão exagerada pela música) fazia-o gastar muito em discos importados.
c) Era um especialista no (estudo da escrita).
d) Eis no que deu (o governo dos técnicos).
e) Tal procedimento só é possível porque existe (um controle do mercado por
algumas poucas empresas).
f) É um animal (que se alimenta de sangue).
g) Especializou-se (no estudo dos insetos).
h) É uma pessoa capaz de sofrer verdadeiras (mudanças de forma).
i) Fazia questão de que suas roupa fossem      (de uma só cor).
j) O estudo dos (nomes de lugares e localidades) pode revelar muito sobre a
história de uma região.

OUTROS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS                                 

Abreviação vocabular

A abreviação vocabular consiste na eliminação de um segmento de uma palavra a fim de se obter uma forma mais curta. Ocorre, portanto, uma verdadeira truncação, obtendo-se uma nova palavra cujo significado é o mesmo da palavra original.

Esse processo é particularmente produtivo na redução de palavras muito longas:

cinematógrafo - cinema -          cine           
pneumático - pneu                                     
otorrinolaringologista - otorrino     
anaIfabeto - anaIfa                                    
extraordinário - extra                      
pornográfico - pornô   
vestibular - vestiba
metropolitano - metrô
violoncelo - celo
telefone - fone
automóvel- auto
psicologia - psico


Observe que a forma abreviada é de amplo uso coloquial, embora em muitos casos passe a fazer parte da língua escrita. Esse traço de coloquialidade pode ser sentido em abreviações como as que colocamos abaixo, impregnadas de emotividade (carinho, desprezo, preconceito, zombaria):

professor - fessor
português -  portuga
chinês - china
japonês - japa
comunista - comuna
militar - milico
confusão - confa
reboliço  rebu
neurose - neura
botequim - boteco
delegado - delega
grã-fino  granfa
São Paulo - Sampa
Florianópolis -  Floripa

Há um certo tipo de abreviação que se vem tornando muito freqüente na língua atual. Consiste no uso de um prefixo ou de um elemento de uma palavra  composta no lugar do todo:ex, por ex-namorada, ex -marido, ex-esposa micro, por microcomputador; vídeo, por videocassete; mini, por minissaia;
máxi, por maxissaia ou maxidesvalorização; midi, para saia que chega até o joelho ou desvalorização cambial moderada; e vice, por vice-presidente, vice-governador, vice-prefeito e outros.

O uso dos prefixos em substituição à palavra toda deve ocorrer dentro de contextos determinados, em que é possível estabelecer o significado que se pretende. Prefixos como vice ou máxi só adquirem sentido em função dos outros elementos do texto em que surgem.

Siglonimização

Essa palavra dá nome ao processo de formação de siglas. As siglas são formadas pela combinação das letras iniciais de uma sequência de palavras que constitui um nome:

FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
CPF Cadastro de Pessoas Físicas
MOBRAL - Movimento Brasileiro de Alfabetização
IOF - Imposto sobre Operações Financeiras
PIB - Produto Interno Bruto

As siglas incorporam-se de tal forma ao vocabulário do dia-a-dia, que passam a sofrer flexões e a produzir derivados. E frequente o surgimento de construções como as ZPEs (Zonas de Processamento de Exportações), os peemedebistas (membros do PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro), os petistas (membros do PT - Partido dos Trabalhadores), a mobralizaçao do ensino,
campanha pró-FGTS, e outras.

Algumas siglas provieram de outras línguas, principalmente do inglês:

UFO - Unidentified Flying Object (objeto voador não-identificado), que concorre
com a criação nacional OVNI
VIP - Very Important Person (pessoa muito importante);
AIDS - Acquired Immunological Deliciency Syndrome (síndrome da imunode-
ficiência adquirida), cuja forma em Portugal é SIDA.
- nota da ledora: propaganda de um serviço de  Limousine, dizendo que  pelo
tamanho, a limousine deveria pagar IPTU. - fim do anúncio.
A sigla IPTU significa Imposto Predial e Territorial Urbano. Trata-se de um tributo da
cidade de São Paulo- SP.


Palavra-valise

A palavra-valise resulta do acoplamento de duas palavras, uma das quais pelo menos sofreu truncação. É também chamada palavra-centauro e permite a realização de verdadeiras acrobacias verbais. Observe:

brasiguaio ou brasilguaio - formada de brasileiro e paraguaio para designar o
povo fronteiriço entre os dois países, particularmente os brasileiros que
retornaram do Paraguai atraidos pelo anúncio de reforma agrária;

portunhol - formada de português e espanhol para designar a língua resultante da
mistura dos dois idiomas;

portinglês - formada de português e inglês, criada por Carlos Drummond de
Andrade ("secretária portinglês");

tomarte - formada de tomate e Marte, criada por Murilo Mendes ("Ou tomarte,
vermelho que nem Marte"). Note a possibilidade de ver nessa palavra também a
palavra arte;

fraternura, elefantástico e copoanheiro - criações de Guimarães Rosa cuja
formação não é difícil de perceber;

proesia - formada de prosa e poesia, utilizada por Décio Pignatari com referência a
uma das obras do escritor irlandês James Joyce.

Note que a criação dessas palavras ocorre tanto na língua coloquial como na língua culta e literária. Na língua coloquial, o processo ja produziu palavras como bebemorar, Grenal (clássico de futebol entre Grêmio e Internacional de Porto Alegre), Atletiba (Atlético Paranaense e Curitiba), Sansao (Santos e São Paulo), Flaflu (Flamengo e Fluminense), Bavi (Bahia e Vitória), Comefogo (Comercial e Botafogo de Ribeirão Preto). Na linguagem jornalística, há termos como cantriz (cantora/atriz), estagnação (estagnação /inflação) e showmício (show/comício); na literatura, além das palavras já citadas, há ainda criações como noitícia (Carlos Drummond de Andrade) ou diversonagens suspersas, de Paulo Leminski.

Onomatopéia

A onomatopéia ocorre quando se forma uma nova palavra por meio da imitação de sons. A palavra formada procura reproduzir um determinado som, adaptando-o ao conjunto de fonemas de que a língua dispõe. Dessa forma, surgem palavras como:

cacarejar; zumbir, arrulhar, crocitar, troar e outros verbos que designam vozes de
animais e fenômenos naturais;

tique-taque, teco-teco, reco-reco, bangue-bangue (a partir do inglês bangbang),

pingue-pongue, xixi, triquetraque (fogo de artifício), saci (nome de uma ave e, por
extensão, de ente mitológico), cega-rega (cigarra; por extensão, pessoa tagarela),

chinfrim (coisa sem valor), quiquiriqui (pessoa ou coisa insignificante), blablablá,

zunzunzum, pimpampum e outras, sempre sugestivas.


Outros processos de formação de palavras
a) abreviação vocabular - consiste na eliminação de um segmento de uma palavra a fim de se obter uma forma mais curta;

b) siglonimização - processo de formação de siglas. As siglas são formadas pela combinação das letras iniciais de uma seqüência de palavras que constitui um nome; 

c) palavra-valise - resulta do acoplamento de duas palavras, uma das quais pelo menos sofreu truncação;

d) onomatopéia - ocorre quando se forma uma nova palavra por meio da imitação de sons. A palavra formada procura reproduzir um determinado som, adaptando-o ao conjunto de fonemas de que a língua









OUTROS PROCESSOS DE ENRIQUECIMENTO DO LÉXICO

Léxico é a palavra com que se costuma denominar o conjunto de palavras que integra uma língua. É, em termos práticos, um sinônimo de vocabulário, embora tecnicamente se possam estabelecer distinções entre as duas palavras. Os processos de criação de palavras que estudamos até aqui devem ter mostrado a você que há um constante enriquecimento lexical na língua, resultante principalmente do dinamismo das modificações culturais, que constantemente criam novos objetos, novos fatos, novos conceitos. Além disso, há outros fatores de pressão sobre a língua, como vínculos de dependência econômica e cultural,
capazes de impor formas de pensar e de dizer que se manifestam também no vocabulário.

Os processos de criação lexical que vimos até agora operam transformações formais nas palavras, seja por meio do acréscimo ou supressão de morfemas, seja por meio da combinação de palavras inteiras para a formação de outras. São, basicamente, processos morfológicos, pois lidam com a forma das palavras.
Há outros processos de ampliação lexical na língua portuguesa. Como não são processos morfológicos, não vamos estudá-los pormenorizadamente. São, no entanto, importantes; por isso, vamos falar um pouco sobre eles.

Neologismo semântico

Freqüentemente, acrescentamos significados a determinadas palavras sem que elas passem por qualquer processo de modificação formal. Pense, por exemplo, na palavra arara, nome de uma ave, que também é usada para designar pessoa nervosa, irritada. Arara, com o sentido de "irritado, nervoso , e um neologismo semântico, ou seja, um novo significado que se soma ao que a palavra já possuía. Essa forma de enriquecimento do vocabulário é extremamente produtiva. Em alguns casos, chega-se a perder a noção do significado inicial da palavra, passando-se a empregá-la apenas no sentido que foi um dia adicional. É o caso, por exemplo, de emérito, cujo sentido original é "aposentado", mas que atualmente se usa como "distinto", "elevado; ou dissabor, cujo sentido original era "falta de sabor".

Perceba que a chamada derivação imprópria aproxima-se bastante deste processo de ampliação de significado. A derivação imprópria resulta da passagem de uma palavra a uma classe gramatical diferente sem modificações na sua forma. Na realidade, ocorre uma ampliação do significado original da palavra.
Isso pode ser percebido em casos em que esse processo está tão cristalizado, que chegamos a perder a noção do sentido e da classe originais da palavra. Pense, por exemplo, em palavras como alvo (em expressões como tiro ao alvo), clara (de ovo), estreito (acidente geográfico), marginal (bandido ou via pública), santo (pessoa virtuosa), refrigerante - você já notou que se trata de adjetivos convertidos em substantivos?

Empréstimos lingüísticos

O contato entre culturas produz efeitos também no vocabulário das línguas. No caso da língua portuguesa, podem-se apontar exemplos de palavras tomadas de línguas estrangeiras em tempos muito antigos. Esses empréstimos provieram de línguas célticas, germânicas e árabes ao longo do processo de formação do português na Península Ibérica. Posteriormente, o Renascimento e as navegações portuguesas permitiram empréstimos de línguas européias modernas e de línguas africanas, americanas e asiáticas.

Depois desses períodos, o português recebeu empréstimos principalmente da língua francesa. Atualmente, a maior fonte de empréstimos é o inglês norte-americano. Deve-se levar em conta que muitos empréstimos da língua portuguesa atual do Brasil não ocorreram em Portugal e nas colônias africanas, onde a influência cultural e econômica dos Estados Unidos é menor. As palavras de origem estrangeira normalmente passam por um processo de aportuguesamento fonológico e gráfico. Quando isso ocorre, muitas vezes deixamos de perceber que estamos usando um estrangeirismo. Pense em palavras como bife, futebol, beque, abajur, xampu, tão frequentes em nosso cotidiano que já as sentimos como portuguesas. Quando mantêm a grafia da língua de origem, as palavras devem ser escritas entre aspas (na imprensa, devem surgir em destaque - normalmente itálico: shopping center; show, stress).

Atente para o fato de que os empréstimos linguísticos só fazem sentido quando são necessários. É o que ocorre quando surgem novos produtos ou processos tecnológicos. Ainda assim, esses empréstimos devem ser submetidos ao tratamento de conformação aos hábitos fonológicos e morfológicos da língua portuguesa. São condenáveis abusos de estrangeirismos decorrentes de afetação de comportamento ou de subserviência cultural. A imprensa e a publicidade muitas vezes não resistem à tentação de utilizar a denominação estrangeira de forma apelativa, como em expressões do tipo os teens (por adolescentes) ou high technology system (sistema de alta tecnologia).



Outros processos de enriquecimento do léxico

a) neologismo semântico - acréscimo de significados a determinadas palavras
sem que elas passem por qualquer processo de modificação formal;

b) empréstimos linguísticos - o contato entre culturas produz efeitos também no
vocabulário das línguas, que incorpora palavras provindas de línguas
estrangeiras. As palavras de origem estrangeira normalmente passam por um
processo de aportuguesamento fonológico e gráfico.

ATIVIDADE
Explique e denomine o processo de formação das seguintes palavras:

a)INSS 
b) "confa"        
c) estresse      
d) teco-teco
e) caipiródromo
f) sofatleta

TEXTO

O homem: as viagens
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto - é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.


Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Pôe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem (estará equipado?)
a dificilima dangerosfssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. As impurezas do branco, 4a. ed. Rio de
Janeiro, José Olympio, 1978 p. 20-2.)


TRABALHANDO O TEXTO
1. De que forma o poema explora a sufixação nos últimos versos da primeira estrofe? Comente.

2. A palavra quadrado constitui um neologismo semântico? Comente.

3. Explique o significado da passagem "vê o visto" e comente o valor adquirido pela palavra visto nesse contexto.

4. Qual o sentido da palavra fossa? Como você analisaria sua utilização no poema?

5. Como foi formada a palavra tever? Que significados ela sugere?

6.         Que efeito produz a divisão colonizar?

7.         Comente o uso da palavra dangerosíssima.

8.         Que efeito produz a forma conviver? Comente.

9. Qual viagem você considera mais importante para o homem? A sideral ou a "dangerosíssima"? Porquê?


1 (Univ. Alfenas-MG) O infinitivo correspondente à forma verbal negrejava está
formado por:
a)         derivação imprópria.
b)         derivação parassintética.
c)         derivação sufixal.
d)         derivação regressiva.
e)         composição.

2  (Univ. Alfenas-MG) O vocábulo almanaques:
a)         é de origem latina.
b)         é erudito, composto de radicais gregos.
c)         é erudito, híbrido, composto de radicais latino e grego.
d)         é de origem árabe.
e)         é uma composição erudita, com prefixo e radical latinos.

3          (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa que contém a correspondência
correta entre o composto de origem grega e o seu significado.
a) anarquia = falta de cabeça
b) aristocracia = governo dos plebeus
c) teocracia = governo de religiosos
d) oligarquia = governo de um pequeno grupo
e) plutocracia = governo exercido por estrangeiros

4 (UEPE) Quanto à formação de palavras:
a) (preconceito) é formação prefixal.
b) (pluralismo) e (fragilidade) são formações sufixais.
c) (incontroverso), (individual) e (interna) são formadas com o prefixo latino in,          
com sentido de negação.
d) (ampliação), (repetência), (preparação) e (cidadania) são substantivos formados a
partir de formas verbais.
e) em (fragilizar), (modernizar) e (democratizar) o sufixo izar forma verbos a partir de
adjetivos.
5 (UFCE) Complete os espaços abaixo com o substantivo que corresponde ao
verbo destacado nas passagens:
a) ... (acendeu) nela o desejo...
A () do desejo.
b)..... e (repetia) puxando-me...
 A () do chamado.
c) ... um gesto que eu não (descrevo)
 A () do gesto.
Marque a alternativa que completa corretamente os espaços acima:
a) acenção - repetisão - descrição
b) acensão - repetição - descreção
c) acenção - repetição - discrição
d) acensão - repetissão - descrisão
e) acensão - repetição - descrição

6 (UFCE) Empregando o sufixo mente, substitua as expressões destacadas por
uma só palavra, cujo sentido seja equivalente ao da expressão substituida.
a) (Pouco a pouco), o poeta aprenderia a partir sem medo.
b) (Sem dúvida alguma), a lua nova é mais alegre que a cheia.
c) Ele ganhou um novo quarto e a aurora, (ao mesmo tempo).
d) Passou dez anos, (sem interrupção), com a janela virada para o pátio.
e) O poeta, (por exceção), prefere a lua nova.

7 (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa que contém, pela ordem, o nome do
processo de formação das seguintes palavras:
ataque, tributária e expatriar.
a)         prefixação, sufixação, derivação imprópria
b)         derivação imprópria, sufixação, parassíntese
c)         prefixação, derivação imprópria, parassíntese
d)         derivação regressiva, sufixação, prefixação e sufixação
e)         derivação regressiva, sufixação, parassintese

8 (PUCSP) O vocábulo (ostentando) apresenta em sua estrutura os seguintes
elementos mórficos:
a) o radical ostenta e o prefixo -ndo.
b) radical ostent-, a vogal temática -a, o tema ostenta e a desinência -ndo.
c) o prefixo os-, o radical tent-, a vogal temática -a e a desinência -ndo.
d) o radical ostenta, o tema ostent- e a desinência -ndo.
e) o radical -ndo, o tema ostent- e a vogal temática -a.

9 (ESALq-SP) São palavras formadas por prefixação:
a) luminoso, fraternidade.
b) liberdade, sonhador.
c) conselheiro, queimado.
d) linguagem, escravidão.
e) percurso, ingrato.

10 (PUCSP) As palavras (azuladas), (esbranquiçadas), (bons-dias) e (lavagem) foram
formadas, respectivamente, pelos processos de:
a) derivação parassintética, derivação prefixal e sufixal, composição por agluti-
nação, derivação prefixal e sufixal.
b)derivação sufixal, derivação parassintética, composição por justaposição, de-
rivação sufixal.
c) derivação parassintética, derivação parassintética, composição por
aglutinação, derivação sufixal.
d)derivação prefixal e sufixal, derivação prefixal, composição por justaposição,
derivação parassintética.
e) derivação sufixal, derivação imprópria, composição por justaposição, derivação
sufixal.

11 (ACAFE-SC) Quanto à formação de palavras, aponte o exemplo que não corres-
ponde à afirmação.
a) infeliz - derivação prefixal
b) inutilmente - derivação prefixal e sufixal
c) couve-flor - composição por justaposição
d) planalto - composição por aglutinação
e) semideus - composição por aglutinação

12 (CEFET-PR) Em qual das alternativas não há relação entre as duas colunas
quanto ao processo de formação das seguintes palavras:
a) magoado    derivação sufixal
b) obscuro     derivação prefixal
c) infernal     derivação prefixal e sufixal
d) aterrador    derivação prefixal e sufixal
e) descampado  derivação parassintética

13 (FUVEST-SP) Foram formadas pelo mesmo processo as seguintes palavras:
a) vendavais, naufrágios, polêmicas.
b) descompõem, desempregados, desejava.
c) estendendo, escritório, espírito.
d) quietação, sabonete, nadador.
e) religião, irmão, solidão.

14 (FUVEST-SP) Assinalar a alternativa que registra a palavra que tem o sufixo
formador de advérbio.
a) desesperança
b) pessimismo
c) empobrecimento
d) extremamente
e) sociedade
15 (ITA-SP) Considere as seguintes significações:
"nove ângulos" - "governo de poucos" -
"som agradável" - "dor de cabeça"
Escolha a alternativa cujas palavras traduzem os significados apresentados
acima.
a) pentágono, plutocracia, eufonia, mialgia      
b) eneágono, oligarquia, eufonia, cefalalgia
c) nonangular, democracia, cacofonia, dispnéia
d) eneágono, aristocracia, sinfonia, cefalalgia
e) hendecágono, monarquia, sonoplastia, cefaléia

16 (ITA-sp) Considere as seguintes palavras, cujos prefixos são de origem grega:
diáfano, endocárdio, epiderme, anfíbio.
Qual alternativa apresenta palavras cujos prefixos, de origem latina,
correspondem,
CAPÍTULO 5
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
117
quanto ao significado, aos de origem grega?
a)         translúcido, ingerir, sobrepor, ambivalência
b)         disseminar, intramuscular, superficial, ambiguidade
c)         disjungir, emigrar, supervisão, bilíngüe
d)         transalpino, enclausurar, supercílio, ambicionar
e)         percorrer, imergir, epopéia, ambivalência

17 (PUCC-SP) Sabendo-se que prefixo é um morfema que se antepôe ao radical,
alterando sua significação, assinale a alternativa que apresenta as quatro
palavras iniciadas por um prefixo.
a) perfazer, decifrar, disparidade, reposição
b) retidão, dissonância, divindade, insatisfação
c) discorrer, entrever, perguntar, reler
d) inamovível, bisavô, comprimento, descansar
e) surpresa, asmático, esbravejar, anulação


18 (VUNFSP) As palavras (perda), (corredor) e (saca-rolhas) são formadas,
respectivamente, por:
a) derivação regressiva, derivação sufixal, composição por justaposição.
b) derivação regressiva, derivação sufixal, derivação parassintética.
c) composição por aglutinação, derivação parassintética, derivação regressiva
d) derivação parassintética, composição por justaposição, composição por
aglutinação.
e) composição por justaposição, composição por aglutinação, derivação prefixal.


19 (CESGRANRIO-RIO) Assinale a opção em que o processo de formação de
palavras está indevidamente caracterizado.
a) vagalume  composição
b) irritação - sufixação
c) cruzeiro - sufixação
d) baunilha - sufixação
e) palmeira - sufixação

20 (UFRJ) Assinale a alternativa cujo prefixo sub tem o sentido de posteridade.
a) sublinhar
b) subsequente
c) subdesenvolvido
d) subjacente
e) submisso

21 (FUVEST-SP) Assinale a alternativa em que uma das palavras não é formada
por prefixação.
a) readquirir, predestinado, propor
b) irregular, amoral, demover
c) remeter, conter, antegozar
d) irrestrito, antípoda, prever
e) dever, deter, antever


22 (UM-SP) Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela em que ocorrem dois
prefixos que dão idéia de negação.
a) impune, acéfalo
b) pressupor, ambíguo
c) anarquia, decair
d) importar, soterrar
e) ilegal, refazer

23 (UFF-RJ) O vocábulo catedral, do ponto de vista de sua formação, é:
a) primitivo.
b) composto por aglutinação.
c) derivado sufixal.
d) parassintético.
e) derivado regressivo de catedrático.

24 (PUC-SP) Assinale a classificação errada do processo de formação indicado.
a) o porquê - conversão ou derivação imprópria.
b) desleal - derivação prefixal
c) impedimento - derivação parassintética
d) anoitecer - derivação parassintética
e) borboleta - primitivo

25 (UFPR) A formação do vocábulo destacado na expressão "o (canto) das
sereias" é:
a) composição por justaposição.
b) derivação regressiva.
c) derivação sufixal.
d) palavra primitiva.
e) derivação prefixal.

26 (PUC-RJ) Relacione os sinônimos nas duas colunas abaixo e assinale a
resposta correta.
1. translúcido    () contraveneno
2. antídoto                   () metamorfose
3. transformação     ( ) diáfano
4. adversário    () antítese
5. oposição                  () antagonista
a) 1, 3, 4, 2, 5
b) 2, 3, 4 ,5,1
c)2, 3, 1, 5, 4
d)1, 4, 5, 2, 3
e) 4, 3, 1, 5, 2

27 (UFSC) Assinale a alternativa em que o elemento mórfico em destaque está
corretamente analisado.
a) menin(a) (-a)  desinência nominal de gênero
b) vend(e)ste (-e-) - vogal de ligação
c) gas(ô)metro (ô) - vogal temática de segunda conjugação
d) ama(ss)em (-sse-) - desinência de segunda pessoa do plural
e) cantaríe(is) (-is) - desinência do imperfeito do subjuntivo

28 (FEI-SP) Dê o significado dos prefixos:

a) (anti)pático
b) (sim)pático
c) (a)pático

29 (UFSC) Relacione a coluna II com a coluna I, estabelecendo a correspondência
entre o significado dos prefixos gregos e latinos.
coluna 1           coluna II
1) (tran)sporte   ()(hiper)trofia
2) (circun)lóquio            ()(para)sita
3) (bene)fício    ()(hipo)crisia
4) (supra)citado            ()(peri)feria
5) (sub)terrâneo            ()(diá)logo
6) (ad)vogado   ()(eu)genia

30) (UFPeI-RS) Os vocábulos da primeira coluna possuem prefixos latinos; os da
segunda, prefixos gregos. A alternativa em que os dois prefixos não se
correspondem semanticamente é:
a) subdesenvolvimento/sintonia
b) ambidestro/anfíbio
c) previsão/programa
d) infiel/anêmico
e) transparente/diálogo

31 (FUVEST-SP) Dos vocábulos da relação seguinte, transcreva apenas aqueles
cujos prefixos indiquem privação, negação ou oposição:
indiciado, anarquia, aprimorar, península, amoral, antípoda, antediluviano, ateu,
antigo, imberbe

32 (FUVEST-SP) Dos vocábulos da relação seguinte, transcreva apenas aqueles
que indiquem inferioridade ou posição inferior:
sotopor, retroceder, supra-renal, sublingual, infravermelho, obstruir, hipodérmico,
sobestar, hipertensão, périplo.

Fonte: INFANTE, Ulisses; NETO, Pasquale Cipro. Gramática da Língua Portuguesa.

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Quadro com os termos da oração


Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
O quadro abaixo mostra os conteúdos de análise sintática que se referem ao estudo da oração. Você pode consultá-lo sempre que aprender um novo conteúdo. Pode também usá-lo como um resumo para seus estudos.

Os termos destacados nesse quadro fazem parte da Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). O que isso significa? A NGB é uma espécie de resumo dos conteúdos gramaticais referentes ao português falado no Brasil e funciona como um guia para o ensino da nossa língua.


simples
composto
indeterminado
oculto
oração sem sujeito
Predicado
do sujeito
do objeto
Verbo
2) Termos integrantes da oração
Complemento verbal
3) Termos acessórios da oração